Eu prometi que na volta da No Filter Tour pela Inglaterra eu iria postar detalhes sobre as aventuras. Então, aqui vamos nós. Acho que o mais importante eu já postei, mas sempre fica alguma coisa para trás. Vamos comentar aqui alguns dos principais pontos. Para tanto, vou me apoiar em alguns vídeos que fui fazendo ao longo dos 10 dias de viagem por Londres, Cheltenham, Darford, Richmond, Barnes e Southampton.

Sticky Fingers

Sticky Fingers sempre é uma boa escolha de passeio. Além de ser todo decorado com pôsters, fotos, discos de ouro e de platina e instrumentos usados pelos Stones, o restaurante de Bill Wyman é ótima opção gastronômica. Você come bons hamburgueres a preços justos. Às segundas, a comidas tem 50% de desconto.

É um baita lugar para ouvir boa música, roda muito Stones, e para conversar com os amigos. Há sempre muitos brasileiros trabalhando lá. Atualmente temos a Rebeca, uma menina de Cuiabá, muito simpática, que é garçonete. Você vai se sentir em casa.

Você pode também fazer reserva de mesa pelo site do Sticky Fingers, clicando aqui. Não alimente muita esperança de encontrar Bill Wyman por lá. Ele aparece raramente, uma ou duas vezes por ano. E quando vai não gosta nada de ser incomodado. Bill vai com a família e fica numa mesa no fundo, discretamente.

Cheltenham

Quando decidimos que a Inglaterra seria o nosso destino na No Filter Tour 2018, a visita a Cheltenham virou uma obviedade. Lá está o túmulo de Brian Jones e a visita é indispensável.

Brian está enterrado no Cheltenham Crematorium and Cemetery. Você pega um ônibus no centro da cidade e facilmente chega até o destino. Na recepção você ganha um mapa e é facílimo encontrar o túmulo de Brian. Diante dele, embaixo de uma árvore, há um banco com uma placa em homenagem ao Stone.

Os funcionários do cemitério são muito atenciosos e estão acostumados a receber fãs dos Stones. Milhares de pessoas de todo mundo vão até lá anualmente para visitar o túmulo de Brian. É algo realmente emocionante. A poucos metros, está o túmulo de Pamela Jones, irmã de Brian, que morreu ainda bebê.

Eu não gosto muito de fazer este tipo de vídeo, mas acabei convencido pelos amigos que estavam comigo de que deveria fazer esse registo. Então, gravei esta mensagem para os nossos leitores.

Cheltenham tem outros pontos ligados à historia de Brian Jones, como uma das casas onde ele morou. Ela é habitada por uma família hoje, que está acostumada a receber turistas. Você pode tirar fotos rápidas. Há uma placa indicando que Brian viveu ali. Ela fica na Eldorado Road.

Além disso, há a igreja de onde saiu o cortejo de Brian até o cemitério. Você vê esta imagem  no documentário 25×5, quando toca Blue Turns to Grey. Também descobrimos a antiga clínica onde Brian nasceu, a Nursery Home, que fechou pouco depois. Hoje o prédio onde ela funcionava está dentro do Campus da universidade local.

Ealing Club

Nós definimos logo que queríamos ir ao Ealing Club. Hoje em dia ele é gerenciado por Alistar Young, que comanda uma espécie de associação de bairro, que tenta preservar a história do clube. Nós entramos em contato com ele meses atrás, mas não havia show programado para as datas em que estaríamos em Londres.

Então, conversei com a Gislene Marek, empresária de Chris Jagger, e ofereci a possibilidade de show no Ealing. Chris topou no ato e a apresentação foi agendada para 24 de maio. Em parceria com o Fan Club Patagonico dos Rolling Stones, que tem nosso companheiro de viagem Cesar Bersais como líder, Stones Planet Brazil passou a promover o evento. Felizmente todos os ingresso foram vendidos em poucos dias.

A história do Ealing é rica. Alexis Korner apresentou Brian a Mick e Keith lá. Os Rolling Stones fizeram 22 shows no clube no começo dos anos 1960. Ou seja, entramos onde os Stones fizeram sua primeira gig com o time completo em 1963: Mick, Charlie, Keith, Bill, Brian e Stu.

Chris fez um ótimo show. Todos vinham nos agradecer pela iniciativa e tivemos noite histórica. Para minha surpresa, Alistar me chamou ao palco para dizer algumas palavras ao público. De improviso, acabei optando por apenas anunciar o show. “Ladies and gentlemen, please, welcome, Chris Jagger”. Estava perfeito. Eu anunciei show de Chris Jagger onde seu irmão Mick começou. Estava de bom tamanho!

Pudemos tirar fotos inesquecíveis lá, que entraram para minhas memórias definitivamente.

Se você visitar Londres, confira a programação do Ealing, porque vale a experiência. Os ingressos habitualmente custam 15 libras e podem ser comprados pela Internet (é bom comprar com antecedência). Veja o site do Ealing aqui. No dia 18 de junho haverá show de Ben Waters.

102 Edith Grove

O fétido e asqueroso apartamento de um quarto que foi dividido por Mick, Keith e Brian quando eles todos saíram de casa para definitivamente entrarem com tudo na carreira musical, formando os Rolling Stones. Hoje ele não é nojento como em 1963, época em que os guris precisavam roubar para comer e quase congelavam de frio na úmida habitação.

Atualmente ele é habitado por uma senhora (não iremos postar seu nome nem dar detalhes pessoais dela). Graças a uma visita anterior do Cesar ao apartamento, conseguimos entrar no imóvel para uma rápida olhadela. Há uma sala, que nem é tão pequena, uma cozinha mediana e um quarto também nem tão diminuto. Mas se considerar que ali viviam quatro pessoas (um amigo de Brian também residiu lá), realmente o espaço fica reduzido.

Você sente a aura do lugar. Imagina todos eles lá dentro. Brian e Keith tocando guitarra, Mick arriscando uma harmônica e muitas festas com entra e sai de gente como Bestles, Pretty Things, Andrew Loog Oldham e muitos outros.

 

Curiosidade: as grades em frente às casas da rua são pretas e por estarem sempre sendo pintadas, os Stones usaram a expressão Paint it Black por causa das grades negras da Edith Grove.

Vamos deixar claro que o apartamento é habitado, não é local público e não existe visitação.

Caminhando por Chelsea você ainda encontra o lugar onde Bill Wyman fez teste para entrar para os Stones, acha a “Chelsea drug store”, que virou um McDonald´s e também as casas de Mick e Keith no fim dos anos 1960, na Cheyne Walk, números 3 e 48. Há ainda vários pontos onde eles tiraram fotos famosas, algumas à margem do Tamisa.

Eu não vou entrar em detalhe de ponto por ponto. Mas se você quiser mesmo ir a esses lugares, pesquise, vá atrás, que você encontra.

Richmond

Em Richmond há vários pontos stoneanos. Um deles é o antigo Crawdady, que fica exatamente em frente à Richmond Station, no atual One Kew Road. Ali a banda tocou em 1963 até que o pub se mudou para o Athletics Ground. No campo do mesmo lugar ocorria o Richmond Jazz & Blues Festival, onde os Stones também se apresentaram.

Aqui foi o primeiro Crawdady

Caminhando um pouco se chega à The Wick, casa de Ronnie Wood nos anos 1970, onde Keith ficou meses hospedado. No estúdio no porão da casa, foi gravada a primeira versão de It´s Only Rock and Roll. Vale a visita pelo aspecto histórico e pela beleza do lugar. A mansão fica no alto de um morro e tem uma vista linda. Além disso, é um bairro nobre, cheio de casas imensas, como a em que Mick Jagger viveu com Jerry Hall até a separação.

Richmond é um  lugar cheio de parques, bares, pubs e muito agradável num belo dia de sol. É ótimo passeio.

Oxford Street

Neste lugar funcionou o Marquee Club

Caminhando pela Oxford Street e arredores há outros diversos pontos da história dos Stones. O Regent Sounds Studio fica na 4 Denmark St. Lá os Stones fizeram várias gravações e hoje é uma loja de instrumentos musicais. Há fotos e matérias de jornais registrando a passagem dos Stones por lá.

Já na Oxford Street mesmo, está o antigo Marquee Club, que virou um banco e agora não é nada. O lugar está em obras e não há qualquer indicação de que ali funcionou um clube tão importante. Você passa pela frente sem se dar conta.

Onde funcionou o Regent Sound Studio

Chega a assustar como a história é renegada em algumas circunstâncias. E ao passar por onde foi o antigo Marquee você tem um desses episódios incríveis de desconsideração com a história. Mas é do jogo. Ao menos o prédio do Regent Sound Studio não foi demolido (ainda). Então, aproveite para visitar tudo o que puder enquanto há tempo.

Olympic Studios

O Olympic Studios, em Barnes, não foi demolido, mas virou um cinema. Preservaram parte da fachada do prédio e na esquina ainda se lê o nome do estúdio onde os Stones fizeram inúmeras gravações como Sympathy for the Devil. Há fotos dos Stones e de outros artistas no restaurante que funciona no segundo andar.

Mas não há muito mais do que isso. Os estúdios não existem mais e o lugar virou sala de cinema. Muitas pessoas tiram fotos do lugar, especialmente as mais antigas, que sabem da importância do prédio.

Você precisa dar uma caminhada da estação de trem até o estúdio, mas nada que assuste.

Dartford

Visitar Darford ficou muito fácil com a criação da Satisfaction Tour. A visita guiada ocorre aos sábados e aos domingos, partindo às 12h30min da estação de trem. Ela dura 2 horas e custa 30 libras. O grupo é levado numa van às casas de Mick e Keith, à igreja onde Keith cantou no coral, ao hospital onde nasceram, às escolas deles e ao Mick Jagger Centre.

Vale muito a pena fazer a tour. Você pode comprar ingressos pela internet facilmente no site deles, clicando aqui. O guia se chama Ken. É um senhor já de alguma idade e que passa várias informações (em inglês) durante a tour.

Há vários outros lugares a serem visitados e nós fomos em alguns deles. O principal, contudo, está relatado aqui. Acredito que seja bela base para um tour stoneano pela Inglaterra. Cotchford Farm, onde Brian morreu, mudou recentemente de proprietário e ele não permite mais visitas, o que faz a viagem perder o sentido. Redlands, famosa casa de Keith, fica um pouco longe de Londres e não se pode chegar perto dela.

Shows da No Filter Tour

Bom, tudo isso teve como objetivo principal ver os concertos dos Stones em Londres (22 e 25 de maio) e Southampton (29 de maio). E como já falamos, os Stones estão na ponta dos cascos. A banda teve apresentações sensacionais. Todos os três concertos que vimos foram excelentes, em alto nível. Nem pense duas vezes, vá ver a banda ao vivo.

Como já fizemos as crônicas dos shows, vou postamos aqui um vídeo de cada apresentação. Os shows começam às 20h30min, mas ainda com sol.

London Stadium, 22/05 – Belo Estádio Olímpico de Londres. Surpresa da noite: Fool to Cry!

London Stadium , 25/05 – A segunda noite londrina. You Can´t Always Get What You Want.

Southampton, 29/05 – O belo St. Mary´s Stadium fica numa zona portuária, o que não é o melhor local, mas o show foi sensacional. Just Your Fool!

Acredito que tenhamos aqui um bom resumo de tudo o que aconteceu na nossa aventura de 10 dias pelo Reino Unido para ver os Stones. Certamente coisas ficaram de fora, mas é impossível colocar absolutamente tudo. O que posso dizer é que caminhamos muito e nos divertimos demais. Nos emocionamos, rimos, encontramos amigos e curtimos o ambiente da maior banda do mundo!

Existe chance de alguns shows pela América do Sul em 2019. Já estamos prontos para ela. Que venha mais uma tour.


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