Marianne Faithfull fez um show em Amsterdam no último dia 23, e nossa amiga Daiane, que mora na Holanda e já nos havia mandado um relato do show de Bill Wyman, estava lá. Acompanhe seu relato e ouça pouco mais de meia hora do show de Marianne, ao final do post.




Por Daiane Hemerich, de Amsterdam

Às 21:03 do dia 23 de novembro de 2014, Marianne Faithfull adentrou mancando e amparada por uma bengala ao palco do Koninklijk Theater Carré em Amsterdam. Antes de mencionar o motivo da dificuldade para andar, cumprimentou efusivamente a plateia em francês, seguido de “oh, no. No, no, fuck, no”. Reiniciou os cumprimentos à plateia anunciando que estava muito feliz por estar nesta noite em Atlanta City. Com mais palavrões e muitíssimo bom-humor, se desculpou novamente ao esclarecer que não está ficando louca, e sabia muito bem que estava em Amsterdam. Justificou a dificuldade para andar devido a um problema no quadril, e pediu paciência para os momentos em que seria obrigada a sentar durante a apresentação devido à dor, afinal “I don’t have any other fucking choice”.

Assim iniciou mais um dos shows da tour de 50 anos de sua carreira. A apresentação intercalou performances primorosas das músicas na sua voz rouca de 67 anos, com comentários irreverentes, sarcásticos, bem-humorados, sensacionais. Num destes intervalos de alfinetadas geniais carregadas de humor inglês, Marianne disse que o que a deixa mais feliz nesta tour é que “EVERYONE SEEMS TO BE FINALLY UNDERSTANDING WHAT I’VE BEEN DOING FOR THE LAST 50 FUCKING YEARS!!!”. Em seguida, acrescenta que ela é provavelmente a pessoa que está mais espantada pelo fato de essa tour estar acontecendo, afinal ela mesma não acreditava que ainda estaria aqui pra isso. Logo após cantar  “Come and stay with me”, mais um momento de deleite para a plateia: “I told you to stay with me 50 years ago… and you did!!”.

Ao final do show, quando a plateia lamenta chateada que aquela será a penúltima música, Marianne tira um sarro: “I know, it’s a pity this is one of the last songs, but what the fuck do you want?! This has to be done in my way, and my way has to be slowly”. Ainda acrescentou que certamente voltará para outra tour, haverá mais discos de músicas bonitas e mais shows… até que não mais. Estas foram apenas algumas referências de Marianne durante o show a respeito de sua idade, e do quanto “it’s a trip to get old”.

Outros comentários ainda diziam respeito à composição das músicas, como “Late Victorian Holocausts”, composta por Nick Cave e que, segundo Marianne, só poderia ter sido composta por ele, já que ele também tem 25 anos de “smack”, assim como ela. Em “Sparrows Will Sing”, uma menção ao autor Roger Waters. A história da composição de “Mother Wolf” foi o mais longo dos intervalos, com devaneios e o conto da história de Mogli – o menino lobo, praticamente completa.

Antes da última música, um comentário épico explicando que aquela música foi composta por ela e Damon Albarn numa noite de tamanha bebedeira, que nenhum dos dois sequer lembra de ter composto. Por sorte, alguém registrou esta composição, que ela ouviu durante uma ressaca e achou tão boa que resolveu gravar. Esta – “Last Song” – foi a música que encerrou o concerto, com pouco mais de uma hora e meia de duração e um teatro lotado ovacionando a performance impecável e cheia de bom-humor e genialidade dessa musa dos anos 60, eternamente sinônimo de carisma e elegância.

Setlist:
Give My Love To London
Falling Back
Witches’ Song
Broken English
The Price of Love (cover dos Everly Brothers)
Marathon Kiss
Love More Or Less
As Tears Go By
Late Victorian Holocaust
Come and Stay With Me
Mother Wolf
Sister Morphine
Sparrows Will Sing
Who Will Take Your Dreams Away
The Ballad of Lucy Jordan (cover de Shel Silverstein)
Encore:
Last Song

No link abaixo, uma gravação parcial do show que Daiane gentilmente nos enviou para compartilhar com os leitores de Stones Planet Brazil.

Comentários

comentários