Por volta das 23h50min do dia 02 de julho de 1969, Brian Jones foi encontrado morto na piscina de sua casa em Cotchord Farm, em Hartfield, Inglaterra. Até hoje a morte do fundador dos Rolling Stones é mistério. Entra ano, sai ano e as circunstâncias do trágico incidente continuam sem explicação convincente.

A data da morte de Brian foi oficializada em como de 3 julho porque os socorristas desistiram de reanimá-lo à 0h45min.  No momento da morte do guitarrista, estavam na casa a namorada do músico, Anna Wholin, o empreiteiro Frank Thorogood e sua namorada Janet Lawson.

Túmulo de Brian em Cheltenham. Foto: Stones Planet Brazil

A polícia considerou a morte acidental. Brian teria sofrido crise de asma. Sob efeito de drogas, ele teria se afogado. No entanto, há versões que indicam um possível assassinato do Stone, que teria sido cometido por Thorogood.

Antes de morrer, Thorogood teria admitido ter matado Brian, o que nunca foi confirmado. Janet Lawson também acusou o ex-amante muito tempo depois.

A personalidade de Brian

É impossível determinar se Brian foi assassinado ou não, mas é fato que ele foi se matando aos poucos. Pessoa de personalidade difícil, muito vaidoso, mas extremamente inseguro, desde a adolescência ele mostrou problemas psicológicos que viriam a afetar sua curta vida de 27 anos.

Brian foi pai ainda adolescente, não reconheceu a criança (Barry David), que foi dada para adoção. O escândalo de ter engravidado uma adolescente de 17 anos (Valerie Corbett) foi imenso em Cheltenham, o que fez com que ele caísse de vez no mundo. Brian saiu em viagem pela Europa, aprendeu a tocar guitarra e harmônica, aperfeiçoando seus dotes musicais naturais.

Igreja onde Brian foi velado em Cheltenham. Foto: Stones Planet Brazil

Na volta à Inglaterra, era um dos poucos a tocar slide na Europa e se destacou em aparições no Marquee Club e no Ealing Club em oportunidades dadas por Alexis Korner em sua Blues Incorporated. Foi neste contexto que ele conheceu Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Wayys e Dick Taylor, com quem depois formou os Rollin’ Stones.

A vida pessoal de Brian seguiu um caos. Teve cinco filhos, engravidou mulheres casadas e só teve alguma consideração por Pat Andrews, com quem teve Julian Mark Andrews. Brian teve relação mais ou menos estável com Pat por algum tempo.

A perda da liderança e a idolatria

Nos Stones, as coisas começaram a ficar difíceis para Brian muito cedo. Quando ele apareceu, ele era considerado um gênio da guitarra slide e da harmônica, pois praticamente ninguém na Inglaterra tocava os instrumentos como ele fazia.

Brian ajudou muito Keith a se aperfeiçoar na guitarra. Só que logo não apenas Keith, mas outros músicos passaram a tocar tão bem ou melhor que Brian e isso o abalou.  Na segunda metade dos anos 1960, Brian praticamente não tinha mais interesse em tocar guitarra e raramente o fazia. Ao invés de progredir como Keith fez, Brian preferiu desistir.

Neste lugar nasceu o fundador dos Stones. Foto: Stones Planet Brazil

Pior do que isso foi a perda de liderança nos Stones quando Mick e Keith passaram a compor. Brian queria ser o centro das atenções, mas sua personalidade deprimida não o deixava criar e nem evoluir. Ele compôs várias músicas, mas as jogava fora por achar que ninguém gostaria delas. Brian não sabia conviver com a hipótese da reprovação e se deprimia com críticas. Se escrevia uma canção e recebia feedback negativo, ele desistia ao invés de insistir.

Brian passou a se tornar inconveniente. A tornar a convivência com ele difícil. Quando Anita Pallenberg apareceu em sua vida, ele esboçou uma breve reação. Passou novamente a ser visto como uma das grandes figuras dos Stones. Aliás, ele sempre foi, sempre teve muitos fãs e era idolatrado. Muitos adolescentes e até músicos usavam cabelos loiros com a franja de Brian. Mas ele não notava isso. Era amado por muita gente, mas queria mais e não sabia lidar com a fama e seus altos e baixos.

A relação com Anita se desgastou logo. Brian tornou-se agressivo e espancava a namorada. Quando ela o trocou por Keith Richards, foi o fim para Brian. Ele não teve estrutura para enfrentar a situação e afundou de vez.

Pub frequentado por Brian em Cheltenham. Foto: Stones Planet Brazil

Destino previsível

Quando ele foi demitido da banda que fundou já não aparecia no estúdio ou aparecia completamente chapado e sem condições de fazer nada. Sempre muito objetivo, Mick Jagger não permitiria que os Stones fossem por água abaixo com Brian. A demissão foi dura. Décadas depois o próprio Jagger admitiu que talvez pudesse ter encontrado outra solução. Mas o fato é que Brian estava no fundo do poço. Os Stones seguiram em frente.

Quando Brian morreu todos ficaram chocados, mas não houve surpresa. Bill, Charlie e Stu foram ao velório em Cheltenham. Mick estava na Austrália e Keith não apareceu dizendo que não lidava bem com despedidas e enterros.

Imagem do Ealing Club, uma das casas dos Stones. Foto: Stones Planet Brazil

Um dos maiores nomes da música

Brian Jones foi uma das pessoas mais importantes da história da música. Ele foi peça vital na formação dos Rolling Stones, a maior banda do mundo. Foi um dos percursores do blues na Inglaterra e um artista talentoso. Infelizmente a personalidade e o psicológico confuso de Brian fizeram com que ele talvez não tivesse condições de mostrar e aprimorar todo o talento natural que tinha.

Ainda assim, ele teve contribuições fundamentais e maravilhosas em diversos clássicos dos Stones, passando por The Last Time, Under my Thumb, No Expectations, Paint it Black e tantos outros, tocando uma infinidade de instrumentos.


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