Por André Ribeiro
O Eriovaldo tem razão. Eu estou entorpecido. Parece que vejo tudo de cima, não sinto os pés tocarem o chão e a sensação é de que o tempo parou, que eu estou numa outra dimensão assistindo a tudo incrédulo. Estou flutuando.
São 30 anos de um sonho stoneano, que no último fim de semana se tornou realidade – ou eu acho que aconteceu mesmo, mas não tenho certeza, ainda tenho a sensação de que estou delirando, sonhando. Ver os Stones em Londres, na casa deles, com o filho do Ronnie na plateia a poucos metros de mim – os netos do Woody estavam lá também –, com a Jane Rose passeando de um lado para o outro à distância de dois passos de mim… esse tipo de coisa sempre esteve nos meus sonhos. Mas será que isso foi verdade mesmo? Será que não estou sonhando ainda?
De repente, aqueles quatro senhores estão sobre o palco tocando para uma multidão de conhecidos, muitos deles (por que não?) amigos de infância. A maior parte do público os assistiu dezenas de vezes, centenas de vezes até. É quase um show íntimo, de uma família de 20 mil pessoas. Todos os lugares estão ocupados, não há espaço para mais ninguém. Na verdade, parece faltar ar.
Quando outros dois senhores surgem no palco iluminado, mesmo que separadamente, há uma quase certeza de delírio. Não é possível que eu esteja vendo os Rolling Stones com Bill Wyman e Mick Taylor, não pode ser verdade.
Antes deste turbilhão de emoções, o sonho teve outros capítulos. Sinto que estive em Darford. Parece que visitei a escola onde Mick estudou. Imagino que estive nas casas onde os Glimmer Twins viveram. Uma imagem aparece diante de mim e leio escrito numa placa: Dartford! Bem, isso é demais. É mentira. Durante três décadas desejei visitar o ponto de partida da criação da banda que mudaria os rumos da humanidade.
Sinto o sabor de comida, cheiro de comida. Ouço música dos Stones. Me deparo com memorabília dos Stones pelas paredes. Alguém fala baixinho: “Sticky Fingers”….vejo rostos de antigos amigos, Vilhelm, Isy, Mela, Matt..suecos, italianos, alemães, ingleses… noto expressões em português… Danielle, Tatiana, Zé, Justino… nomes tão próximos. Será que estavam lá?
Hoje eu acordei. Puta que me pariu! As fotos não mentem. Nem os vídeos… e muito menos a minha memória, as minhas sensações. Cara, estive em Darford, em Carnaby St., estive em Londres. Eu vi os Rolling Stones na O2 Arena, num dos mais importantes concertos deste meio século da maior banda do mundo…
Mais uma lágrima cai…. ela se junta às centenas que senti caírem no último 25 de novembro de 2012. Uma noite, um fim de semana, que para sempre, para sempre, mas para sempre será lembrada! Os Rolling Stones estão mais vivos do que nunca. E nossos sonhos também.

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