E quando não há tour dos Rolling Stones?

Keith Richards sempre disse que o grande problema dele não era quando estava em tour. A maior dificuldade era quando a banda estava parada, sem trabalho. Quando você é um rockstar e está rodando o mundo, vai de um show para o outro e não tem muito tempo para ficar pensando e fazendo besteira. Você basicamente se prepara para os concertos (no caso de Keith, diga-se, ele usualmente achava nos anos 1970 um tempinho livre para se meter em confusão entre apresentações da banda).

Mas quando você volta para casa e não tem show no dia seguinte, não tem multidões gritando teu nome e nem aquela loucura toda, bate uma depressão. Tipo, e agora? O que eu vou fazer? E até que você esteja de novo ativo, isso detona o psicológico. Obviamente num universo de grandes astros como os Rolling Stones, tudo é muito dramaticamente potencializado. E segurar a onda nos momentos de vazio era, segundo Keith, o grande problema e era quando os maiores excessos ocorriam.

Os dias sem tour dos Rolling Stones para os fãs

Por que eu estou dizendo isso e dando essa volta? Porque isso também afeta os fãs. Obviamente de uma maneira muito diferente. Ninguém acha que é um Rolling Stone e que tem multidões a te aplaudir e vai se afundar nas drogas quando a tour acabar. Mas há um imenso vazio quando os Stones não estão na estrada. Eles são absolutamente indispensáveis à rotina dos fãs, dos fanáticos ao menos, que os seguem rotineiramente.

Estar em tour com os Stones é uma coisa sem igual. A preparação prévia para a tour, seja lá onde forem os shows. A espera pela confirmação das datas, a compra dos ingressos, das passagens, reserva de hotel, a busca de informações com amigos locais, a interação prévia com outros fãs. Isso gera uma ansiedade e uma satisfação que talvez quilos de drogas não possam provocar.

Quando você está já na estrada, a espera pelo show, os encontros com amigos, o clima de celebração mundial que envolve um concerto dos Rolling Stones, com gente vindo de todas as partes do mundo, é algo que não te preço. É um combustível para a vida.

Melhores a cada noite

E os shows? Os Rolling Stones mostram noite após noite que podem ser melhores ainda, que conseguem se superar. Um show é superior ao outro e a tour vai crescendo até chegar a um nível de performance inacreditável. Realmente é algo que irreal, ainda mais para senhores de mais de 70 anos.

E estamos vivendo agora, justamente o momento em que isso tudo está pausado. Nós não temos shows dos Rolling Stones. Amanhã não haverá viagem para qualquer lugar, nem hotel, nem os amigos, nada disso.

Felizmente, há uma comunidade internacional de fãs dos Stones, vamos chamar assim, em que a troca de experiências ajuda a controlar a ansiedade por uma nova tour. Os lançamentos como Sticky Fingers Live, On Air, etc, também auxiliam a manter a cabeça ocupada. É momento de ter muito foco.

A gente sabe que um dia os Rolling Stones não estarão mais na estrada. Que tudo tem um fim e que essa sensação de que eles não são humanos e que são imortais é apenas algo do nosso imaginário, porque a gente quer que seja assim.

Mas felizmente esses quatro senhores são durões. Se não houver alteração de planos, teremos uma tour pelo Reino Unido em 2018. Com alguma possibilidade, muito pequena, de algum outro lugar receber shows. No entanto, os britânicos, que ficaram de fora da No Filter Tour, são a bola da vez.

O que nos resta é esperar pela confirmação dos shows e já irmos dos preparando, programando. Nunca baixar a guarda e estar sempre em prontidão é o caminho a seguido por quem quer e precisa seguir os Rolling Stones.

Quanto custam os seus sonhos?

Em tempo. A você que acha que é muito caro ir para estrada com a banda e que não tem condições. Se isso é mesmo importante para você, faço uma pergunta. Quanto custam os seus sonhos? Se você responder que não pode, que não tem de onde tirar grana, que não tem folga do trabalho, acredite, você diz isso porque não é tão importante assim para você.

Nos vemos na estrada de novo em 2018.

Todas as fotos desse post são da nossa amiga romena Andreea Chelsoi, que é uma das nossas grandes inspirações como fãs dos Rolling Stones. Obrigado por tudo, Andreea.


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