Por André Ribeiro
Editor de Stones Planet Brazil

Quando eu fiz o primeiro post de Stones Planet Brazil às 22h23min do dia 12 de setembro de 2008, eu não tinha a menor ideia de como fazer um blog e muito menos tinha noção no que ele se tornaria ou até onde ele chegaria. A única coisa que eu sabia, era que queria criar um espaço meu para escrever sobre os Rolling Stones e que falasse exclusivamente sobre a banda, mais nada.

Na época não se tinha bons espaços sobre os Stones em português – até livros eram raros. Era o começo das redes sociais, do Orkut, e ninguém sabia muito bem como lidar com aquilo. Mas eu queria criar uma espaço para fãs autênticos, fanáticos, e logo percebi que não seria naquele tipo de canal que isso seria possível, já que havia muita galhofa e pouca, ou nenhuma, seriedade.

Então, pedi ajuda a alguns amigos e dei jeito de criar Stones Planet Brazil (a história do nome eu já contei várias vezes). Para minha surpresa, muito rapidamente fãs que estavam pelas redes sociais passaram a ler e a acompanhar o blog. Em pouco tempo, eu já tinha cerca de 100/150 acessos por dia, o que era muito, já que não havia divulgação alguma, exceto a que eu fazia no meu perfil (acho que primeiro no Orkut e depois no Facebook).

Houve várias fases do blog, diversas pessoas nos ajudaram e ajudam (não vou citar nomes para não esquecer alguém). Por ser jornalista, aos poucos o blog foi se tornando um canal meio que de “hard news” e menos de curiosidades, até chegar ao ponto de hoje, em que não abordamos praticamente a vida pessoal dos Stones e nos concentramos na história, na música e nas informações sobre shows e lançamentos. Aos poucos, o blog foi evoluindo até deixar de ser “meu” e se tornar de todos que queiram ajudar e tenham conteúdo para contribuir. Deixamos de ter o “estresse” de correr atrás das informações, porque sabemos que elas vêm até nós.

Demos muitas notícias, algumas exclusivas, como o lançamento da reedição do Sticky Fingers, a confirmação da assinatura de contrato para o show de Porto Alegre, o lançamento do disco triplo ao vivo de Ronnie Wood, no Ambassador Theatre, e dezenas de outras. Em muitos momentos o blog passou a ser a fonte da notícia/informação e foi reproduzido em vários outros canais do mundo todo. Obviamente também cometemos erros, demos bolas fora, como é do jogo. Mas sempre mantendo a seriedade no trato à informação e hoje em dia de forma mais tranquila, sem tanta urgência.

Com o tempo as pessoas passaram a entender e a respeitar Stones Planet Brazil como espaço para fanáticos, onde só se fala sobre Stones – no começo foi difícil, mas não cedemos e hoje isso é absolutamente tranquilo. Do primeiro post em 12 de setembro de 2008 até este momento, 1.366.803 pessoas acessaram o blog, que chegou a ter em meio à Olé Tour mais de 20 mil acessos diários. São números incríveis para um blog tão segmentado e sem qualquer divulgação fora do universo dos fãs. Stones Planet Brazil vive da qualidade da informação postada e do boca a boca dos fãs. Não postamos spams e não ficamos constrangendo as pessoas para acessarem o blog ou seus canais no Facebook e no Twitter. 

Hoje, o blog tem, talvez, como principal razão de existir estimular as pessoas a irem atrás de seus sonhos e a verem o maior número de shows possível. Meu maior orgulho, satisfação e sentimento de dever cumprido, é quando faço as contas e vejo quantas pessoas foram para a estrada com a gente, estimuladas por nós. São dezenas de amigos e leitores. 

Fico muito feliz quando fãs de toda parte me reconhecem nos shows (e fora deles) e vêm me cumprimentar e dizer que acompanham o blog e ou que foram viajar pela pilha que metemos. Aliás, eu senti que o blog tinha alguma importância em 2009, quando fui ver um show de Bernard Fowler (o meu segundo dele) em Buenos Aires e fui levado pelo meu amigo Marcelo Tejera ao 40×5 Bar. Lá, fiquei realmente espantado, não apenas porque o Juan Ignacio, dono do bar, sabia quem eu era ou porque ele lia o blog, mas porque vários amigos do bar também me conheciam, liam o blog e vinham me dizer isso. Ali percebi que “havia algo estranho”, porque eu não esperava.

Quando fãs dos Estados Unidos, da Holanda, da Alemanha, da Inglaterra, da Argentina, do Uruguai e de vários outros lugares me param pelos shows para dizerem que sabem quem sou e que mesmo sem falarem português me acompanham, o sentimento é de muita satisfação.  

Entre 1995 e 2016, vi 17 shows dos Stones em sete países diferentes (Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal e Inglaterra), em onze cidades diferentes (Porto Alegre, Buenos Aires, La Plata, Montevidéu, Santiago, São Paulo, Rio de Janeiro, Orlando, Detroit, Londres e Lisboa). Ainda é muito pouco e tomara que seja possível voltar para a estrada em breve para que encontre mais amigos.

Ao longo destes anos, fiz muitas parcerias com grandes pessoas e recebi ajuda de gente como Tamara Guo, Matt Lee, Sandra Polfliet, Alex Carrasco, César Bersais, Juan Ignacio Muñoz, Rolando Rebelo, Hans Oosterbaan, Jos Lemmers, Nelio Rodrigues, José Emílio Rondeau, Cristiano Radtke, Zé Pedro, Lisa Fischer, Bernard Fowler, Chuck Leavell (e Rose),Tim Ries, Joyce Smyth, Paul Gongaware, Patrick Woodroffe, Fran Curtis, Bill German, Chris Jagger, Mrs. SL, Sally Wood e Felipe Gagliardi. Nosso muito obrigado a vocês, aos nossos colaboradores (do passado e do presente) e especialmente a todos os leitores.

Sempre haverá quem me critique, me chame de vaidoso, exibido ou seja lá o que for. Infelizmente não se pode agradar a todos. Mas mesmo a esses, dizemos para pararem de se preocupar com a gente e irem correr atrás dos seus sonhos. Os Stones seguem ativos e, ainda hoje, são a banda mais ativa do mundo. Não há tempo a perder e obrigado por nos lerem sempre. 
Ps.: Não aconteceu nada para motivar este post. Apenas a necessidade do editor de falar um pouco sobre o blog e agradecer o carinho de todos.

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