Video da chuva de Porto Alegre

Por André Ribeiro
Desde 1995 os Rolling Stones tinham uma dívida de gratidão com os argentinos. Apesar de a banda ter lançado vários documentários neste período e o Biggest Bang até ter menções e trechos dos shows de 2006, faltava algo maior. Embora Olé Olé Olé – A Trip Across Latin America englobe toda a tour sul-americana deste ano, o filme tem dois eixos centrais. Um deles são os concertos em La Plata e o outro os preparativos para o histórico concerto de Cuba.
Todos os países e cidades foram vistos pelo ângulo cultural e dos costumes locais – ou alguma curiosidade muito marcante, como a chuva durante o show. Mas os Stones foram além e apresentaram ao mundo quem são os fãs argentinos da banda. Os Rolingas foram personagens principais e não coadjuvantes.
Neste contexto, as imagens no 40×5 Tributo Bar, de Buenos Aires são justa homenagem a Juan Ignacio Muñoz, um sujeito que anos atrás largou uma carreira de sucesso para abrir um minúsculo bar numa esquina de Buenos Aires. Um desavisado imaginaria que Juan vende cervejas. Não, ele fomenta e ajuda as pessoas a realizarem sonhos.
Grande parte do reconhecimento argentino junto aos Stones vem do trabalho incansável, louco, apaixonado, religioso de Juan, que leva o nome da Argentina (e do 40×5) por todos os cantos do mundo onde os Stones toquem. Podem ter certeza. Seja onde for o show, lá vai ter um amigo do 40×5 (ou o próprio Juan) presente.
Os destaques em relação às menções ao Brasil ficaram por conta de referências ao samba, batida de Sympathy For The Devil, à arte gráfica nas ruas de São Paulo e mais especialmente (e isso foi ponto alto) ao relato que Mick e Keith fizeram das primeiras viagens deles ao Brasil em 1968 (que estão narradas no livro Os Rolling Stones no Brasil, de Nelio Rodrigues). Neste ponto ele tocam Country Honk, somente os dois no backstage, o que realmente é sensacional. Se eles tivessem mais informações sobre os fãs do Brasil, teriam procurado Nelio para aprofundar o tema (isso realmente ficou faltando).
Embora apenas Ronnie cite Porto Alegre de forma quase incompreensível, a chuva foi bastante destacada. Há imagens do temporal, da banda no palco ensopado e eles falam sobre tocar debaixo d’água. Para todos que estiveram no Beira-Rio, sem dúvida, é emocionante.
Mas como eu disse antes, outro eixo central da narrativa é o show de Cuba. O filme mostra imagens de reuniões do alto staff dos Stones organizando o evento, todas as dificuldades e as interferências que Obama e o Papa tiveram no show. Por fim, Joyce Smith (hoje a número 1 no staff dos Stones), chora comovida pelo show ter sido finalmente realizado depois de tanto esforço. E aqui vale uma nota. Ela mostra ser aquilo que sempre demonstrou ser nos breves contatos que tivemos com ela. Uma pessoa muito acessível e humana.
Realmente Olé Olé Olé – A Trip Across Latin America é um dos melhores documentários musicais de sempre. Mereceria tranquilamente um Oscar na categoria. Para todos que estiveram na estrada durante a tour, fica um imenso saudosismo, sentimento de quero mais. Mas teremos mais. 2017 não tarda.

*Vale agradecimento ao Cristiano Radtke, que moveu montanhas para que pudéssemos assistir ao filme.

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