Da Agência EFE
As rugas são muitas, é verdade, mas o tempo parece não passar para os Rolling Stones, que voltaram neste sábado (6) em plena forma ao Hyde Park, em Londres, para repetir no mesmo cenário seu mítico show de mais de 40 anos.
Diante de dezenas de milhares de fãs, Mick Jagger e Keith Richards voltaram, exatamente 44 anos e um dia depois, a comandar o espetáculo, acompanhados por Ron Wood e Charlie Watts.
Naquele 5 de julho de 1969, Jagger subiu ao palco vestido de branco e recitando um poema de Percy Bysshe Shelley em homenagem ao guitarrista Brian Jones, que havia morrido apenas dois dias antes, e soltou milhares de borboletas no céu de Londres.
Hoje, sir Mick, que completará 70 anos dentro de três semanas, exibiu uma jaqueta de couro desenhada por sua atual companheira, L’Wren Scott, com uma borboleta estampada em menção a Jones, e sem dizer nada, começou “Start Me Up”.
Foi o início perfeito para a noite de um dia quente no parque londrino, onde outras bandas e artistas como The Vaccines, The Temper Trap, Gary Clark Jr. e King Charles.

E assim foi dado o tiro de largada de quase duas horas de altas doses de rock’n’roll e de nostalgia, com Jagger perguntando “Como vocês estão?” antes de atacar o segundo tema do repertório, o hino “It’s Only Rock and Roll (but I Like It)”.
Embora não precisasse, Keith Richards aumentou a temperatura do evento com seu primeiro solo da noite durante o clássico, primeiro de muitos, apesar de muitos deles terem datas posteriores a 1969.
Jagger havia dito durante a semana que a banda interpretaria o mesmo repertório do mítico primeiro show em Hyde Park, que, foi gratuito. No espetáculo de sábado, as entradas mais baratas chegavam a 150 euros (R$ 435).
“Saudações a Londres, Inglaterra e Hyde Park! Alguém esteve aqui em 1969?” perguntou Jagger, antes de puxar “Tumbling Dice”, o dado da sorte (e talento) que tornou os Rolling uma marca global que parece imortal.
Por votação popular que a banda promoveu na internet, o público escolheu “All Down the Line”, que foi seguida por “Beast of Burden”, um pouco “soul” para a alma das mais de 200 mil almas que se reuniram em Hyde Park, e a bem mais recente “Doom and Gloom”, tema incluído em seu último álbum “GRRR!” (2012).
Precisaram tocar “Bitch”, que interpretaram com Gary Clark Jr., e “Paint it Black” até que finalmente soou algum tema do primeiro “Stones in the Park” –e só poderia ser “Honky Tonk Women”.
“Olá, Londres! Eu disse que voltaríamos!”, disse Jagger como que se desculpando pelo atraso perante os mais nostálgicos daquela noite 44 anos atrás.
Então foi preciso esperar três outras canções, “You Got the Silver”, “Before They Make Me Run” e “Miss You”, para voltar à máquina do tempo.
Da mesma máquina saiu Mick Taylor, cuja primeira apresentação com os Stones foi aquela de Hyde Park, quando teve a difícil missão de substituir Brian Jones.
“Acabamos de encontrá-lo em um pub e o colocamos aqui diante de 200 mil pessoas”, brincou Jagger, que, de gaita em punho, interpretou com ele “Midnight Rambler”.
Com a família quase completa, os Stones encerraram uma noite histórica com “Gimme Shelter”, “Jumping Jack Flash”, “Sympathy For the Devil” e “Brown Sugar”.
E se ao final do show havia alguma dúvida de que o quarteto está em forma, os ingleses fizeram um bis duplo com “You Can’t Always Get What You Want” (1969) e “(I Can’t Get No) Satisfaction”.

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