Lançada esse ano pela ABKCO, a caixa THE ROLLING STONES IN MONO engloba os álbuns dos Rolling Stones lançados na década de 1960,  nas suas versões em mono.

A caixa traz todos os álbuns ingleses e a maioria dos discos americanos, do homônimo de 1964 até o clássico Let it Bleed.

Existe também um álbum duplo chamado Stray Cats, que apresenta 24 faixas que normalmente não foram lançadas em LPs, somente no formato de compactos.

Há dois formatos da caixa: Vinil e CD. E aqui cabe também ressaltar a caixa de mini-lps japoneses, de uma qualidade e acabamento impecáveis. O grande problema nosso é que esses lançamentos não têm edição nacional, portanto, ficamos reféns dos produtos importados. E das taxas absurdas de importação.

O preço lá fora da caixa de vinil gira em torno de US$350 e a caixa de CD em torno de US$120. Junte-se aí os impostos e podemos notar que fica bem salgado.

Mono ou Estéreo? Dúvida Cruel

Os discos em mono foram editados até o fim dos anos 1960, sendo que esse formato é considerado pelos puristas a expressão máxima do som do artista sendo mais envolvente e encorpado. Obviamente que o formato estéreo fornece mais possibilidade para experimentações.

As diferenças entre as versões mono e estéreo dos álbuns dos Stones são mais sutis, porém álbuns como The Rolling Stones Now e Out of Our Heads soam muito bem nas versões mono. Mas acho que a grande estrela é o Their Satanic Majesties Request, onde as diferenças entre estéreo e mono são bem mais marcantes.

Já em Beggars Banquet e Let it Bleed praticamente não há diferença, sendo que apenas a faixa Sympathy for the Devil apresenta leves nuances nas mixagens. Todas as outras faixas são iguais.

Já a compilação Stray Cats traz algumas curiosidades como mixagens diferentes de Street Fighting Man e 19th Nervous Breakdown.

Vale a pena citar que essa mixagem de Street Fighting Man saiu somente nas prensagens inicias com a capa proibida e que hoje é raríssima. Essa mixagem diferente havia saindo somente em outro lançamento da ABKCO, a caixa de singles 1967-1971 box.

Tivemos acesso a caixa de vinil e já posso adiantar que é um produto diferenciado.

A caixa e os Lps

A caixa impressiona, com um nível de acabamento ótimo, comparável com lançamento dos boxsets de álbuns remasterizados em 2010 (1964-1969 e 1971-2005) que estão esgotados e os disponíveis hoje alcançam preços altíssimos.

A caixa traz 16 LPs prensados em 180 gramas e um livreto de 48 páginas com fotos raras da banda nos 60’s.

Os LPs vêm acondicionados em uma caixa com tampa magnética, muito legal e numerada. Nossa caixa apresenta o número 4540/10000. Todos os álbuns vêm acondicionados em envelopes de plástico grosso.

Os LPs apresentam reproduções dos labels originais, ou seja, o vermelho escuro padrão dos álbuns mono seja London ou Decca. As capas também são iguais às originais, exceção feita ao Satanic que não apresenta a capa em 3D. Parece que a matriz da foto foi jogada fora ou não pode ser mais usada. Que pena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E o som???

Pelo que foi apurado até agora, as remasterizações foram feitas a partir de arquivos digitais (Direct Stream Digital-DSD) , que por sua vez tiveram origem nas fitas originais. Ou seja, já é uma remasterização em cima de arquivos digitais. E aí começa a discussão.

Será que esses arquivos digitais conseguiram preservar todas as nuances das gravações originais ou já houve perda? Ou será que os arquivos digitais deram conta do recado?

Pelo que pude ouvir, as diferenças, se é que existem, são mínimas ou até imperceptíveis. Eu particularmente não notei grandes diferenças. Alguns reviews na internet chegaram à conclusão de que os discos novos têm som melhor que os antigos.

Fiz algumas comparações com o Satanic, Now e Out of Our Heads, em um toca discos Stanton com agulha e cápsula dedicadas para discos mono.

Devemos levar em consideração que os discos originais têm em torno de 50 anos e esses são fresquinhos, saídos da prensa.

O que posso dizer é que o som é maravilhoso. O som tem mais profundidade, os graves são bem nítidos, assim como os médios. Os agudos parecem estar um pouco mais limados, por assim dizer. Parece que isso é um efeito colateral dessas mixagens mais novas.

Na audição do Exile on Main Street remasterizado pelos estúdios Abbey Road isso é muito nítido.

Mas posso dizer que a sensação deve ser a de ouvir esses discos na época do seu lançamento mas com equipamentos muito mais modernos.

Aqui tenho que fazer uma observação: Sempre achei que ouvir um disco de vinil supera a audição de um CD. Hoje posso acrescentar que a audição de um disco de vinil mono é um patamar acima.

Posso estar viajando?? Posso, sem dúvida, mas o que vale é o que a gente pensa. E se isso traz satisfação, por que não aproveitar???

Indispensável ou Caça-Níqueis?

Acho que para essa pergunta a única resposta é: Os dois

Indispensável para o fã, colecionador, amante de vinil. Ter em mãos uma caixa dessas é sensacional.

Caça-níqueis sim, porque está custando caro até para os padrões gringos. Prepare-se para gastar.

O fato é que os Stones e a ABKCO têm toneladas de material ainda inéditos para lançar por pelo menos mais cinquenta anos.

Então nós, os pobres fãs e colecionadores, ficamos aqui esperando e tentando acompanhar o frenético ritmo de lançamentos. E sem falar nas turnês…. que parece que vem mais por aí.

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