Por André Ribeiro
Quando Brian Jones atendeu ao telefone, tudo que ele e seus amigos Mick Jagger, Keith Richards e Ian Stewart queriam era tocar blues. De repente, surgiu convite para um show no londrino Marquee Club. Surpreso com a pergunta sobre como a banda se chamava, Brian teve um segundo de hesitação, olhou para um disco de Muddy Waters e respondeu: “Rollin’ Stones”, nome que 50 anos depois se tornou sinônimo de sucesso, de sexo, de drogas e de rock and roll.
Ainda sem o “G”, os aspirantes a astros subiram ao palco do Marquee em 12 de julho de 1962 para tocar blues. A banda tinha formação improvisada. Além de Mick, Keith, Brian e “Stu” – que acabou relegado à condição de sexto Stone informal até morrer em 1985 –, Dick Taylor era o baixista, e Tony Chapman estava na bateria.
Bill Wyman se juntou à turma em dezembro daquele ano, enquanto Charlie Watts se incorporou em janeiro de 1963, completando a banda, que viria a ganhar anos depois o título de “a maior do mundo”.
Do primeiro single de 1963 (Come On, de Chuck Berry) até hoje, o grupo lançou 29 álbuns de estúdio, dez discos ao vivo, 92 compactos e gravou 374 canções, várias hinos de gerações  como Satisfaction, Gimme Shelter, Sympathy for the Devil, Brown Sugar, Jumping Jack Flash,  Honky Tonk Women, Angie, Start me Up e uma lista imensa de clássicos.
Perseguidos, censurados e presos pelas autoridades britânicas dos anos 1960 por serem considerados perigosos, os Stones há muito tempo são bajulados por governantes de todos os cantos. Jagger ganhou título de nobreza da rainha e cantou para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em show na Casa Branca.
O Brasil está no roteiro dos Stones desde 1968, quando Mick e Keith visitaram o País de férias. Depois disso, tiveram shows proibidos em 1975 pela ditadura militar. Entre 1995 e 2006, realizaram oito apresentações em São Paulo e Rio de Janeiro, sendo a última na Praia de Copacabana para 1,5 milhão de pessoas.
Muito mais do que o sucesso de quase 250 milhões de discos vendidos pelo mundo todo, os Rolling Stones têm como legado a contribuição para a superação de barreiras e viraram símbolos de transgressão.
Como disse o cineasta Arnaldo Jabor, “os Rolling Stones são importantes para a vida mesma e não para a história. São a celebração concreta da liberdade individual, da democracia. Os Stones são parte das grandes invenções do século 20. Ainda bem que existiram e existirão sempre.”
O jornalista José Emilio Rondeau, coautor do livro Sexo, Drogas e Rolling Stones, acredita que “os Rolling Stones pertencem a uma categoria de uma banda só: ninguém no rock cruzou meio século operante, vital, com fome de mais”.
 Rondeau afirma que “os Stones são ícones, últimos praticantes de um idioma musical quase em extinção, são gigantes sem par cuja sombra continuará sempre pairando sobre todos os artistas que fazem e farão rock and roll”.

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