O jornal britânico Daily Mail publicou extensa matéria em que Mick Taylor fala sobre o seu passado com os Stones e o seu presente de quase miséria. Abaixo, vamos transcrever alguns dos principais trechos:

Os discos dos Stones renderam até hoje 250 milhões de libras e os concertos arrecadaram mais de 1,8 bilhão de libras. Mick Jagger tem fortuna avaliada em 250 milhões de libras e mesmo Ronnie Wood, o membro mais novo da banda que apenas a partir de A Bigger Bang passou a ser sócio do grupo, tem fortuna estimada em 70 milhões de libras.
Mick Taylor vive mal-vestido, mora numa pequena casa de dois quartos na região rural de Suffolk, que está em ruínas e precisa de reparos urgentes. “Sim, eu sei que isso precisa ser feito, mas não sinto que seja o momento certo”, disse Mick Taylor sobre as condições de sua moradia.Além das condições da casa, há pilha de contas vencidas de água, luz e gás. A pia da cozinha está sempre cheia de louça e de latas vazias empilhadas. O carro de Mick fica estacionado da rua, deteriorando, com grama alta entre os seus pneus.“As pessoas estão sempre perguntando se eu me arrependo de ter deixado os Rolling Stones”, disse Mick. “Se eu tivesse permanecido com a banda, eu provavelmente estaria morto. Eu estava tendo dificuldades com o vício de drogas e não poderia ter durado com os Stones. Mas eu estou limpo e assim tem sido há anos. Minha vida está muito melhor do que se eu estivesse devastado pelas drogas sendo um membro dos Stones. Então, não me arrependo de ter saído”, afirmou.

Fã dos Stones?

Mick Taylor conta que nunca foi um fã dos Stones, embora gostasse do som da banda. Os Beatles soavam-lhe melhor. Mick conta que na primeira sessão que teve com os Stones ele fez overdubs de Honky Tonk Women. O guitarrista achou os Stones muito vaidosos.

“Se vocês vão ficar ai e me olhar à toa eu vou para casa, tenho mais o que fezer”, Mick conta ter dito a Jagger e Keith. Logo depois, Jagger o convidou para entrar definitivamente na banda. “Eu não estava impressionado com nada daquilo e acho que gostaram da minha atitude”, comentou Taylor, para quem os Stones nunca foram bons tecnicamente, mas faziam um som cru e tinham grande ideias.

Aos poucos Mick Taylor passou a ter problemas com drogas. “Começou como uma coisa ocasional de recreio”, explicou.

“Eu nunca pensei que eu iria ficar viciado. Mas com o tempo, voltei para Londres em 1973, eu havia me tornado cada vez mais dependente. Eu estava usando todos os dias. Em 1974, eu senti que eu tinha ido tão longe como eu poderia com a banda. Eu não achava que eles ficariam juntos. Os discos estavam indo bem, mas a banda estava caindo aos pedaços. Era um caos. Mick e Keith não estavam conversando ou trabalhando juntos. Os discos demoravam cada vez mais para ficar prontos e o vício de Keith frustrava Jagger”, declarou Taylor.

Mick Taylor diz que parecia quieto no palco, mas que era impulsivo e defendia seus pontos de vista quando estava trabalhando com a banda. “Uma das coisas que eu tenho raiva de Mick é que ele havia prometido dar-me crédito por algumas das canções – e ele não o fez. Eu acreditava que tinha contribuído bastante. Vamos colocar desta forma – sem a minha contribuição essas músicas não teriam existido. Coisas como Sway e Moonlight Mile, em Sticky Fingers, e um par de outras. Eu achei aquilo um crime e foi um fator que contribuiu para a minha partida. Mas eu nunca pensei que os Stones seriam uma coisa permanente na minha vida”, disse.

A vida fora dos Stones não foi fácil. Taylor divorciou-se de sua esposa Rose, vendeu seus discos de ouro para arrumar grana, se mudou para Nova York, e desperdiçou a maior parte do dinheiro em heroína e cocaína. “Eu era viciado, usando qualquer coisa que eu poderia receber para comprar a droga”, revelou.

A espiral descendente continuou mesmo quando ele sentou-se ao lado do pai em seu leito de morte. “Meu pai estava morrendo de câncer no fígado e estava com dor terrível no hospital”, Taylor lembrou. “Ele disse que sabia que eu estava usando drogas e perguntou se eu gostaria de pedir às enfermeiras analgésicos mais fortes. Eu fiz e elas deram-lhe morfina. Eu sentei lá tentando equilibrar a ironia da situação. Meu pai precisou de morfina para aliviar sua dor e eu estava viciado nisso pelo prazer. Eu estava tão revoltado, senti-me doente”, narrou.

Taylor se mudou para Los Angeles em 1990 e se matriculou em uma clínica, em Hollywood Boulevard. “Entrei na fila dos viciados. Eu estava na clínica no dia de Natal. Uma enfermeira me deu um copo de metadona e disse: ‘Tenha um bom Natal.’ Eu disse-lhe que não havia Natal para drogados. Decidi voltar para a Inglaterra para encontrar uma cura, porém foi doloroso”, emendou Taylor.

Desde o fim de seu casamento com sua segunda esposa, uma americana chamada Valerie, Taylor tem vivido por conta própria e raramente vê sua filha Chloe, ou Emma, uma segunda filha de uma cantora de apoio de um tempo com sua banda. Mas ele ainda toca com os amigos, incluindo o ex-tecladista Jeff Beck, Max Middleton.

No dia em que Mick Taylor tem dinheiro vai à pilha de faturas e paga o que pode. Quando não o faz, e muitas vezes não o faz, ele telefona para seus amigos e sugere alguns shows em bares e clubes locais.
Mas e os seus direitos autorais dos Stones? “Em 1982, eles pararam de me pagar. Eles assinaram com uma gravadora diferente e tinham novos contratos. Foram informados que não precisam me pagar mais “, explicou Taylor, com um encolher de ombros. “Até então, eu tinha um contrato com a Rolling Stones Records, que foi licenciada para a Atlantic Records”, contou Mick.

O negócio deu-lhe direitos como autor, mas quando o contrato expirou, a gestão da banda usou uma brecha no contrato de Taylor para parar todos os pagamentos. “Eu devia ter conseguido um advogado”, disse o guitarrista.

“Mas em vez disso, disse-lhes palavras rudes e perguntei como eles poderiam simplesmente parar de me pagar. Todos sabemos que não é certo. Na verdade, é escandaloso. Eles ganham todo o dinheiro e eu recebo os aplausos e elogios, mesmo de Mick Jagger. Eu tentei falar com Jagger um par de vezes, mas tenho consciência de que a contratação de um advogado é provavelmente a única maneira de eu resolver isso. Mas acho que eu não vou fazer nada sobre isso”, comentou. Taylor pensa por um momento, em seguida, acrescenta: “Eu vou fazer algo sobre isso, porque isso é moralmente errado cortar meus royalties dos seis álbuns”.

***O texto acima é uma tradução da matéria original do Daily Mail, podem haver erros. Publicamos aqui um trecho da matéria e não a sua íntegra.
***O texto acima é matéria do Daily Mail. Stones Planet Brazil não emitiu qualquer opinião sobre o assunto. Apenas postamos o que foi colocado pelo jornal.

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