Este é texto que escrevi sobre o show. Foi algo feito às pressas, enquanto corria para atualizar o blog e para  me arrumar para pegar o voo de volta. Mas fica o registro.
Na verdade, agora, com mais calma, o que precisa ser dito é que foi show histórico, fantástico, um dos  melhores e mais importantes shows que os Stones deram nestes 50 anos. Os Rolling Stones estão de volta e prontos para celebrar o centenário da banda.

Por outro lado, O Zé Emílio Rondeau, que viu o show ao meu lado, fez uma review, evidentemente com muito mais brilho e talento. O material está no Rondeaublog. Aqui vai::

Por José Emílio Rondeau

Londres, 25 de novembro de 2012 (texto atualizado) – Os Rolling Stones abriram sua turnê 50 and Counting com um show de duas horas e meia no O2 Arena, em Londres, que justificou toda a expectativa e ansiedade criadas pelas dúvidas de como – e se!- a banda celebraria seu meio século de atividade.

Com garra de mostrar sua forma e movidos pelo tom histórico da ocasião e pelo fato de estarem comemorando a data em casa, os Stones surpreenderam com um setlist bem sacado, um palco econômico (onde os maiores efeitos especiais eram filmes e animações) que posicionava os músicos dentro da boca de sua logomarca e um estoque de regalos.

Sobretudo, pareceram estar se divertindo às pampas, com vontade de provar que não foram domados nem abalados por todas as imtempéries pessoas e profissionais por que passaram, de mostrar que ainda são a banda que se recusa a morrer.

Precedido do desfile pelo corredor central do O2 de uma mini-bateria de escola de samba (com os integrantes usando máscaras de gorila da capa de Grrr!) acompanhando com uma batucada abrasileirada uma versão apenas rítmica de ‘Sympathy For The Devil” que saía das caixas de som, o show começou oficialmente com um vídeo curto que pode ser interpretado com uma espécie de “você sabe com quem está falando?” divertidíssimo. Nele, gente como Iggy Pop, Nick Cave, Angus Young, Elton John, Pete Townshend e os Black Keys dão seu depoimento de sua relação com a músicas dos Stones ( para Johnny Depp, eles provocam uma vontade “de fazer coisas ruins”; Cate Blanchett confessou sua inveja da magreza dos Stones), tudo misturado com falas de fãs anônimos (como o cara que descobriu a banda na coleção de discos do avô) e imagens de bandas cover.

Após o tributo, com as luzes apagadas e o O2 todo gritando e assobiando, uma voz masculina pronunciou a frase que todos aguardavam: “Ladies and gentlemen, The Rolling Stones!”.

Liderados por um Mick Jagger em ponto de bala e com o volume à toda, os Stones abriram com “I Wanna Be Your Man”, o sucesso que os Beatles deram para eles, e criaram um terço inicial de show simplesmente transcedental, seguindo em clima todo Sixties com ” Get Off My Cloud”‘ , “It’s All Over Now” e “Paint it Black”.

Tocavam com vontade – e com emoção de verdade. Não era um show protocolar: pelo contrário, os Stones usaram a ocasião para celebrar sua história e seu legado, e para agradecer aos fãs. Vai das tantas, Jagger disse que os Stones continuam fazendo shows “porque vocês continuam vindo nos ver!”.

A forma da banda e o condicionamento físico de Mick são impressionantes, beirando o inacreditável: eles fazem um show explosivo, com poucas desaceleradas no ritmo, com a energia de gente com um terço da idade deles e a experiência e convicção que só a experiênca traz.

Por conta dessa combinação – pique e maturidade – , junto ao que a ocasião representava, mesmo hits conhecidos e velhos cavalos-de-batalha de shows dos Stones ganharam arranjos novos, mais soltos, tornando-se mais frescos (“Wild Horses”‘ , “Out of Control”).

Convidados especiais acrescentaram tempero novo e animaram a banda. Mary J. Blige duetou com Jagger em “Gimme Shelter”, dando um toque gospel que pareceu entusiasmar Jagger (ele sorria de orelha a orelha com as intervenções dela). Jeff Beck elevou o nível e os decibéis atiçando Ketih e Ron a dar tudo de si num versão incendiário de “Going Down”, do primeiro álbum do guitarrista.

A tão esperada reunião dos Stones com o baixista Bill Wyman e o guitarrista Mick Taylor alegrou os fãs. Bill tocou duas músicas, “It’s Only Rock and Roll” e “Honky Tonk Woman”, aparentando, pelo menos no início da primeira, estar um pouco desacostumado com a reação provocada por sua ex-banda. De certa forma, parecia até assustado. Por sua vez, Mick trocou fraseados com Keith e Ron em “Midnight Rambler” que podem não ter tido o brilho antigo, mas eram compensados pelo contexto do momento. Mick foi recebido um um Deus da guitarra pelo público do O2, apesar de seu desempenho ter ficado séculos-luz aquém do que fez na banda no passado.

A última surpresa ficou por conta dos dois (!) corais que acompanharam a banda em “You Can’t Always Get What You Want”.

No final de tudo, exausto, após uma maratona que desafiaria qualquer artista, ainda mais um homem de 69 anos, Jagger sorriu com uma expressão de missão cumprida.

Quem viu o show no O2 saiu dali certo de que o nome da turnê diz a verdade – são 50 anos, mas a contagem ainda não terminou. Os Stones chegaram a um marco inédito no rock ao completar meio século de atividade. Só que a história, pelo visto e ouvido na noite de doming, continua, ainda não acabou.

Pelo que os Stones demonstraram no O2, eles topam – eles querem – mais.

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