A discografia dos Rolling Stones é uma das ricas da história da pop music. São 30 álbuns de estúdio, 23 discos ao vivo (considerando inclusive lançamentos digitais) e 25 coletâneas, além de uma infinidade de outros lançamentos. Por isso, o catálogo dos Stones é um dos mais discutidos no mundo, sendo que cada fã aponta os seus favoritos levando em conta seus gostos pessoais.

Para colaborar com o debate, vamos listar neste artigo os dez discos de vinil mais importantes dos Rolling Stones. Vamos considerar os LPs porque são os lançamentos originais – os CDs vieram apenas nos anos 1990. Também tomaremos sempre como base a discografia britânica dos Stones. Entre os nossos critérios de análise estarão relevância histórica, musical e comercial.

Let it Bleed – 1º

Lançado no Reino Unido em 5 de dezembro de 1969, Let it Bleed pega os Stones em uma importante fase de transição. Brian Jones havia sido demitido da banda, e Mick Taylor, com apenas 20 anos, estava entrando no grupo.

Os 42min26seg do álbum trazem o melhor dos St0nes em estúdio. O disco foi basicamente gravado por Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Bill Wyman e músicos de apoio. Brian Jones praticamente não participou das sessões. Ele tocou percussão em Midnight Rambler e auto-harpa em You Got the Silver. Enquanto isso, o estreante Mick Taylor fez slide guitar em Country Honk e guitarra em Live with Me.

Let it Bleed consagra um novo estilo de tocar dos Stones, que iniciou no Beggars Banquet. Além de trazer vários clássicos impressionantes, o disco dá contornos definitivos à sonoridade da banda. Certamente músicas como Gimme Shelter, You Can´t Always Get What You Want e Midnight Rambler jamais poderiam ser deixadas de lado.

Sticky Fingers – 2º

Primeiro disco de estúdio dos Rolling Stones em que Mick Taylor participa de forma total. O disco foi um dos LPs mais importantes da carreira da banda pelo seu sucesso comercial gigantesco, já que canções como Brown Sugar e Wild Horses figuram em seu tracking list. Além disso, Sticky Fingers foi o primeiro disco de vinil a sair pela Rolling Stones Record, selo lançado pela banda depois que ela se viu livre da ABKCO.

Todo virtuosismo de Mick Taylor está presente neste álbum, que também prima pela quantidade de clássicos, como Sister Morphine, Sway, Can´t You Hear me Knocking e  Dead Flowers, além das citadas anteriormente.

O LP foi lançado em 23 de abril de 1971 e entrou para a história da música. Foi tão importante que mereceu uma reedição com faixas extras inéditas, que foi lançada em 2015. No mesmo ano, os Stones fizeram show no Fonda Theatre, em Los Angeles, tocando o disco na íntegra. O download oficial show foi lançado posteriormente e um DVD da apresentação está prestes a ser lançado.

Exile On Main Street – 3º 

Para muitos fãs dos Rolling Stones o LP Exile on Main Street é a obra prima da banda. Com algumas faixas gravadas num porão imundo na casa de Keith Richards no Sul da França e outras no Olympic Studios e na casa de Mick Jagger em Stargroves, o disco foi concebido em meio ao caos e teve resultados que nem o mais otimista dos produtores poderia sonhar. O lançamento do disco de vinil duplo ocorreu em 12 de maio de 1972.

Inesquecíveis músicas dos Rolling Stones como Tumbling Dice, Happy, Rocks Off, All Down the Line e Sweet Virginia foram registradas no álbum. Neste disco, a banda mete o pé bem fundo em suas influências. O foco principal é o blues, mas com presença marcante do country, do rock and roll e do soul.

Exile on Main Street é além de um grande lançamento musical, um capítulo à parte na história dos Rolling Stones, fornecendo elementos maravilhosos para alimentar o imaginário proibido de sexo, drogas e rock and roll que rondou a banda nos anos 1970.

Antes mesmo do Sticky Fingers, Exile on Main Street recebeu uma reedição, em 2010, com dez faixas bônus, que nunca haviam sido lançadas oficialmente.

Some Girls – 4º

Some Girls é o disco de estúdio mais vendido pelos Stones até hoje. O álbum foi um imenso sucesso comercial, tendo vendido perto de 10 milhões de exemplares. Miss You fez os Stones flertarem com a disco music pela primeira fez e o resultado foi um LP de grande aceitação popular.

Muito mais do que isso, Some Girls foi importante para mostrar ao mundo que os Rolling Stones ainda eram capazes de fazer música crua e direta, dando resposta ao movimento punk, que era a moda da vez. Respectable, Lies, When the Whip Comes Down e Before They Make me Run mostraram do que os Stones eram capazes. Mas temas mais lentos como Beast of Burden e o country debochado Far Away Eyes podem ser citados como pontos mais altos do disco.

Some Girls foi lançado em 19 de maio de 1978 e veio logo depois de Keith Richards quase ser preso como traficante de heroína no Canadá, caso que foi encerrado apenas em 1979, quando a banda deu show em benefício dos cegos canadenses, o que ocorreu em Oshawa, em 22 de abril daquele ano. E apesar disso, Some Girls é um dos discos mais importantes dos Stones até hoje.

Tattoo You – 5º 

É impressionante como um disco que praticamente só reuniu sobras de estúdio de sessões anteriores, como Tops, que era da fase de Mick Taylor, teve tanto sucesso. Tattoo You é o segundo disco dos Rolling Stones mais vendido até agora, com vendas parecidas com 8.5 milhões de unidades. Start me Up puxou o álbum, que teve outros temas excelentes, como Hang Fire, Black Limousine (composta por Ronnie Wood) e Waiting on a Friend.

O grande charme do disco é a divisão de canções de rock e blues no lado A e de baladas matadoras no Lado B. Se ninguém fica indiferente ao swing de Slave, também não dá para deixar de relaxar e aproveitar os acordes melódicos de Worried About You e Tops.

Lançado em 24 de agosto de 1981, Tattoo You é um dos discos de vinil (e depois CDs) mais relevantes dos Rolling Stones.

Beggars Banquet – 6º

Como a gente já escreveu, Beggars Banquet é um dos discos dos Rolling Stones mais relevantes e definidores de estilo. Dá para afirmar que existe um “antes” e um “depois” do álbum lançado em 6 de dezembro de 1968. Com este LP, a banda retoma o caminho do blues, mas além disso cria um estilo próprio, uma sonoridade pessoal, que passaria a ser copiada por bandas durante décadas.

Entre as músicas dos Rolling Stones mais famosas está sem a menor dúvida Sympathy for the Devil, que foi uma ousadia para a época. No Expectations traz última participação efetiva, e maravilhosa, de Brian para os Stones com uma interpretação de slide brilhante. Além disso, Street Fighting Man coloca os Stones como trilha sonora dos movimentos estudantis de 1968 com sua letra desiludida: “o que pode fazer um guri duro se não tocar numa banda de rock and roll?”.

Goat´s Head Soup – 7º

A crítica não gostou de Goat´s Head Soup quando ele foi lançado em 31 de agosto de 1973. O álbum foi considerado doce demais, e os Stones foram acusados de estarem acomodados com o status de grandes astros ricos do rock. No entanto, preconceitos à parte, o LP traz canções excelentes. Mick Taylor faz solos lindíssimos.

The Rolling Stones: Angie! Isso mesmo. A balada romântica escrita por Keith Richards para sua filha Angela incomodou muito fãs. “Podemos ter perdido alguns fãs por causa dela, mas ganhamos vários outros”, chegou a comentar Mick Jagger anos depois. O fato é que a música é uma das mais populares dos Stones.

No entanto, Goat´s Head Soup tem muito mais do que Angie. Star Star é um rock à Chuck Berry, com letra irônica e ritmo alucinante. Além dela, Dancing with Mr. D e Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker) também são vigorosas. Coming Down Again, com Keith nos vocais, e Winter, são obras de arte, emocionantes.

Antes de entrar na onda dos críticos, portanto, sempre ouça os discos com seus próprios ouvidos. Goat´s Head Soup é caso clássico de disco subestimado. O LP foi fundamental para popularizar os Stones fora do nicho do rock, ampliando o mercado da banda.

The Rolling Stones No.1 – 8º

O disco de vinil Rolling Stones No.1 obviamente marcou a estreia dos Stones no mercado de LPs. Numa época em que a banda estava buscando afirmação como grande sucesso pop, o álbum traz uma série de covers da música negra norte-americana. É um disco totalmente cru, sem qualquer tecnologia. Naquela época, Brian Jones ainda era o líder da banda e figura de grande destaque.

Lançado em 17 de abril de 1964, o álbum reúne canções que eram adoradas pelos Stones, como Route 66 e Carol (Chuck Berry),  Honest I Do (Jimmy Reed), I Just Want Make Love to You (Muddy Waters) e I´m King Bee (Slim Harpo).

O LP foi um pontapé inicial que anunciou ao mundo, nas palavras de Andrew Loog Oldham: “Os Rolling Stones são mais do que um novo grupo. Eles são um estilo de vida”. Fanfarronice ou não, o fato é que a frase ganhou contornos de premonição.

Aftermath – 9º  

Aftermath é talvez o disco em que Brian Jones tenha exercitado de forma mais marcante a sua versatilidade, tocando vários instrumentos, como cítara, cravo, bandolim, marimba, slide guitar, harmônica, piano, saxofone, címbalos de dedo,  entre outras coisas … até guitarra elétrica.

Portanto, a audição do álbum faz você compreender por que as pessoas diziam que Brian era capaz de aprender a tocar qualquer instrumento.

De qualquer maneira, Aftermath traz grandes canções. São os exemplos de Out of Time, Mother´s Little Helper, Under my Thumb e Lady Jane. O disco se distância do blues e do rock and roll e transita por sons mais melódicos com arranjos mais elaborados. Mostra o ecletismo da banda e a vontade de experimentar caminhos que não eram exatamente os dos Stones. Lançado em 15 de abril de 1966, o disco é venerado por muitos fãs.

Blue and Lonesome – 10º

Sim, o novo disco dos Rolling Stones Blue and Lonesome entra no top 10 dos álbuns mais importantes da banda. Lançado em dezembro de 2016, a gravação foi número 1 de vendas em mais de 40 países e superou a casa dos 2 milhões de unidades vendidas, o que para o mercado atual é muito bom.

Blue and Lonesome faz os Stones voltarem às suas origens, com um disco de covers de blues, seco, cru, gravado ao vivo no estúdio e sem firulas. É o disco que os fãs sonhavam há décadas. Não há como negar a importância de Blue and Lonesome, que deu um sopro de vida e de frescor para a discografia dos Stones.

É um disco que se tornou muito rapidamente uma obra indispensável para a coleção de qualquer fã dos Rolling Stones.

Notas do autor

* Usamos como fontes de consulta:

  • Livro The Rolling Stones Gravações Comentadas & Discografia Completa, de Alan Clayson, Larrousse, 2006
  • Pesquisa na internet (Google)
  • Nossa coleção pessoal de discos de vinil dos Rolling Stones

*Consideramos a discografia inglesa e em vinil, porque são os discos originais, tanto em termos de gravações e artes.


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