Uma história em que interpretação e realidade convivem lado a lado, entrelaçadas e confundindo-se a cada momento em um musical. Keith Richards ficou alucinado quando encontrou Mick Jagger na estação de trem de Dartford. O guri beiçudo, filho de Joe e Eva, levava debaixo do braço discos de Muddy Waters e Chuck Berry, o mesmo que ouro para o jovem guitarrista iniciante. O episódio foi o ponto de partida para a formação dos Rolling Stones. Fernando Mello e Marcelo Ceglie deram de cara um com o outro numa estação de trem em São Paulo, 51 anos depois do distante 17 de outubro de 1961. Os dois rapazes paulistanos redescobriram a paixão em comum pela música dos famosos Glimmer Twins e uniram-se na Rolling Stones Cover Brasil a partir do segundo semestre de 2012.

Por ironia do destino, Mello e Ceglie são protagonistas  no espetáculo Start me Up, que recria os quase 55 anos de história dos Stones num show único. Os rapazes, cujo percurso tem muitas afinidades com o dos ídolos ingleses, irão recriar a trajetória da maior banda de todos os tempos em um espetáculo único, que promete levar o público a uma viagem pelo tempo. O musical, que é dirigido por Ricardo Júnior, estreia no dia 12 de fevereiro no Teatro UMC, em São Paulo.

Os discos que Mick carregava quando encontrou Keith na estação de Dartford

Mello lembra que havia tocado com Ceglie algum tempo antes de reencontrá-lo. E que conversaram na ocasião em que se viram numa estação de trem. “Comentei com ele que a gente deveria voltar a tocar junto, mas ele já tinha uma banda tributo com outro cantor. Passei meu telefone para ele e pouco tempo depois a banda (Rolling Stones Cover Brasil) teve problemas com o vocalista e fui chamado a substituí-lo”, conta o Jagger brasileiro. “A gente sempre conversou muito sobre os artistas que influenciaram os Stones, como Robert Johnson, Howlin’ Wolf, Muddy Waters e Chuck Berry”, recorda o frontman.

Ou seja, se Mello não tinha “The Best Of Muddy Waters” e “Rockin’ At The Hops” (você pode encomendar os dois LPs através de Stones Planet Brazil. Temos ambos os discos para venda. Envie e-mail para andreribra@hotmail.com para mais informações) nas mãos quando encontrou Ceglie, eles sempre compartilharam o apreço pelos heróis dos Stones. Agora, ambos irão representar no palco todos os passos musicais dos britânicos, dos primórdios até os dias de hoje.

“Fazer o Jagger dos anos 1960 foi mais difícil. Sempre interpretei o Mick em suas fases mais irreverentes e explosivas. Nos 60’s ele se movia pouco. A partir de 1969 que ele passou a explorar mais o palco e mexer com a platéia. No início as provocações eram mais contidas. Depois ele foi desenvolvendo a personagem, se espelhando em pessoas que admirava, como Tina Turner, por exemplo, entre outros”, afirma Fernando Mello.

Como o cantor terá a tarefa de “imitar” Jagger sobre o palco, tentando reproduzir seus movimentos, trejeitos e também a forma de se vestir em cena, a fronteira entre o a boa interpretação e a caricatura pode ser tênue, mas Mello está seguro do que tem de fazer e parece não se preocupar se eventualmente parecer um pouco “esquisito”.

Ceglie (E) e Mello estão acostumados a interpretar Keith e Mick

“Na verdade eu acredito que não tem como não parecer meio caricato, pois o próprio Mick virou uma espécie de caricatura de si mesmo”, dispara Mello. “Eu sou muito expressivo por natureza. Sou elétrico, falante e sempre estou fazendo caras e bocas mesmo quando estou fora dos palcos. Assim é Mick Jagger, sempre muito extrovertido, gesticulando muito, seja num show ou sentado numa poltrona dando entrevistas. Então, tudo o que faço é tentar não forçar movimentos ou expressões. Tento ser o mais natural possível. E não dá para negar que Mick Jagger, mesmo sendo natural, é exótico (risos)”.

A realidade e a representação se confundem na visão do guitarrista Marcelo Ceglie, o Keith Richards da história. De acordo com o músico, sua relação com o colega de bandas, tem semelhanças à de Mick e Keith. “A gente já brigou bastante, já não brigou mais. Volta e meia quebramos um pau, mas a gente se acerta sempre e focamos no trabalho”, relata Ceglie, divertindo-se com a coincidência.

Mello garante que toda a energia dos Stones estará reproduzida no show Start me Up e que o público terá experiência única. “Haverá a sensação de as pessoas terem entrado num túnel do tempo. Elas vão presenciar de forma inédita todas as fases da banda mais antiga do planeta ainda em atividade. Faremos o possível para transmitir toda a energia captada por cada um de nós. É um desafio condensar tanta história num repertório de 2 horas de show. Claro que não dá para tocar todos os clássicos, mas a essência de cada década estará lá. Eu mesmo tenho me impressionado em nossos ensaios semanais”, revela o artista.

Para mais detalhes sobre o show Start me Up, clique aqui.

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Fernando Mello e Marcelo Ceglie tocando com a Rolling Stones Cover Brasil, o outro projeto que eles têm em comum

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