Quando o show de Keith Richards no Hollywood Palladium, em Los Angeles, foi lançado, eu era um adolescente de 17 anos. Já tinha sido infectacto pelo vírus do fanatismo pelos Rolling Stones há muito tempo e vivia sedento atrás do que pudesse encontrar sobre a banda. Em algum momento no final dos anos 1980 eu consegui uma cópia em VHS do concerto de promoção do primeiro álbum de Keith. Aquilo foi uma vitória, que saboreei ao extremo.

O relançamento daquele show em vinil em finais de 2020 me fez reviver aqueles dias. Desde que recebi o disco não parei de ouvi-lo. Como 33 anos atrás, repito e repito a audição da gravação sem parar.

Keith Richards do auge

Keith estava no auge como guitarrista, como vocalista e como performer. Motivado pelos projetos solo de Mick Jagger, que desencadearam a “terceira guerra mundial”, quase pondo fim à trajetória dos Stones, Keith se reinventou. O pirata gravou excelente disco (Talk Is Cheap) e saiu em tour pelos Estados Unidos com uma nova banda, os The X-Pensive Winos.

É verdade que foi fase difícil para os fãs, com troca de farpas entre os glimmer twins e muita incerteza sobre o futuro dos Stones. Mas aquele vídeo, preenchia o vazio que existia.

LP duplo vermelho

De volta ao bolachão duplo de 180 gramas em vinil vermelho, Take It So Hard e How I Wish abrem os trabalhos de forma magistral. São canções que facilmente poderiam ter entrado em qualquer disco dos Stones, mas havia diferenças marcantes.

As guitarras em “Open G” típicas estavam ali. Mas a bateria era de Steve Jordan, o que dá um andamento completamente diferente, mais moderno, certamente, meio reggae, talvez. Podiam ser canções dos Stones, mas não eram. Havia uma outra banda (e ótima) acompanhando Keith.

Make No Mistake e Locked Away são duas das baladas mais lindas da história da música. Ninguém  me convence do contrário. Sarah Dash nos vocais de “Mistake” é sublime. O solo de Keith em “Locked” é perfeito, mininalista, ensinando que o silêncio é tão importante quanto as notas. Posso ouvir essas canções bilhões de vezes, sempre vou fica comovido.

E ainda teve a versão brutal, animalesca de Happy. Mais hard rock do que nunca, meio à AC/DC, sob influência seguramente de Waddy Wachtel, o parceiro de guitarra de Keith nos Winos.

Numa época em que voltamos a ficar em shows dos Stones, agora em virtude do Covid-19, reviver aquele momento de três décadas atrás é uma grata compensação. Mesmo que o disco seja bem caro para nossa moeda, quanto vale seus sonhos e lembranças? Como fanático, sempre disse que não têm preço. Mas para entender, você precisa ser um fanático.

The X-Pensive Winos

Sarah Dash – Vocais
Charley Drayton – Baixo, vocais e bateria
Steve Jordan – Bateria, baixo e vocais
Bobby Keys – Sax
Ivan Neville – Teclados, vocais, guitarra e baixo
Waddy Wachtel – Guitarra e vocais


 

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