Por André Ribeiro
Que diabos um brasileiro quer saber de um livro sobre os Rolling Stones em Portugal? Exceto pela facilidade linguística, pouco ou nenhum interesse pode ter um sul-americano numa obra tão segmentada, que tem valor apenas para os nativos da terra de Cabral. Certo? Errado!
Os Rolling Stones em Portugal, de Rolando Rebelo, é bem mais do que um livro contando as passagens de suas majestades do rock and roll pelas margens do Tejo. Em mais de três anos de esforço, Rebelo abriu seu baú pessoal de recortes de jornais, entrevistou dezenas de pessoas de todos os cantos do mundo e reuniu fotos de alguns dos principais fotógrafos do ramo musical, como Brian Rasic e Phillip Townsend. Isso é tudo? Negativo!
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, há uma linha do tempo resgantando os 50 anos do grupo, material que é enriquecido por depoimentos de gente como Bill German e Tamara Guo (Blue Lena). Portanto, mesmo que você diga que não quer saber sobre a aventuras dos Stones em Portugal, certamente terá interesse em rememorar alguns dos bons “causos” da banda.
Entre tantas colaborações, a mais rica é de longe a de Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, banda mais popular de Portugal e considerada os Stones de lá. Fã apaixonado e seguidor leal de Keith Richards, Zé Pedro faz com que rapidamente nos identifiquemos com suas histórias – a mais marcante delas é, sem dúvida, o encontro do guitarrista com os Stones na casa de Fado onde Ana Moura cantou para os convidados da banda em 2007.
Como nem tudo são flores, claro, o livro tem alguns tropeços. Era impossível que não tivesse. Um deles talvez tenha sido a escolha do autor do prefácio. Zé Pedro parecia a melhor escolha (a ideia original era Mick Jagger e Iggy Pop também esteve prestes a fazê-lo), mas acabou que o produtor de shows Nuno Braamcamp tivesse a honra. Sendo um profissional, e não um fanático stoneano, Braacamp não pode dar ao texto a paixão que o livro merecia. Alguns personagens convidados a depor para o livro também poderiam ter sido excluídos, pois não tinham relação maior com os Stones e estavam lá mais por sua importância para a música portuguesa ou pela amizade com o autor – nosso caso, que enviamos depoimento dispensável.
Rolling Stones em Portugal é muito bom livro e para todos. Seja para brasileiros, portugueses ou para quem se comunica em outros idiomas, porque muitas das fotos falam por si só.
Encerrada esta jornada, sim, meu caro Rolando. Você já teve dois filhos, construiu sua casa, viu os Stones mais vezes do que poderia imaginar e encerrou um livro. Falta a árvore e… que venha o segundo livro.

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