Por que os Stones devem lançar mais um álbum de canções inéditas? Outro dia eu estava conversando com o Cristiano Radtke, amigo e colaborador do site a respeito disso. Eu confesso que a partir daquele papo comecei a aprofundar o assunto na minha cabeça. E cheguei a uma resposta simples. Os Rolling Stones devem (e podem) lançar um novo álbum com composições próprias porque o que eles fizeram nas décadas mais recentes é ótimo, extremamente válido e seria muito interessante ouvir o que eles têm guardado no baú.

Eu sei que muita gente torce o nariz para os lançamentos “mais recentes”dos Stones, mas sei também que uma quantidade igual, ou talvez maior de fãs, foi criada ouvindo Voodoo Lounge, Bridges to Babylon e A Bigger Bang, álbuns que trouxeram a banda ao Brasil.

Todos esses discos venderam milhões de cópias. Somados eles chegam perto de 15 milhões de exemplares comercializados, muito mais do que a imensa maioria dos artistas sequer sonha em vender um dia. Notem: não estou considerando Blue and Lonesome, que é outra história.

Mais do que sucesso comercial, que os Stones têm por osmose, os discos são excelentes. Sem Bill Wyman, que foi uma grande perda, sem dúvida, os Stones lançaram ótimos álbuns com Darryl Jones no baixo, cheios de grandes canções.

Álbuns com ótimas canções

Voodoo Lounge, de 1994, foi o disco que trouxe a banda ao Brasil pela primeira vez em 1995, com show de estreia em 27 de janeiro daquele ano, no Estádio do Pacaembu, em São Paylo. Desde então, os Stones fizeram 12 apresentações no País, todas elas para grandes multidões, chegando a assistência de mais de 1 milhão de pessoas em Copacabana (2006).

Mas vamos ao disco. Dele tiramos Love is Strong, You Got me Rocking, Out of Tears, The Worst, Brand New Car, Mean Disposition e Sparks Will Fly para não citar todas as faixas.

Em 1997, eles nos deram Bridges to Babylon, que tem extremo bom gosto. Um álbum que vai do rap ao jazz, do rock and roll ao country em questões de minutos. Flip the Switch, Anybody Seen My Baby, Already Over Me, Out of Control, Saint of Me, Always Suffering, Thief in the Night e How Can I Stop?, também para não mencionar todas as canções, são contagiantes.

Seguindo para 2005, A Bigger Bang traz Rough Justice, Let Me Down Slow, It Won’t Take Long, Streets of Love, Back of my Hand, Oh No You Again,  Laugh, I Nearly Died e This Place is Empty. Todas elas são grandes canções.

Poderíamos citar ainda faixas como Don´t Stop, One More Shot e Doom and Gloom, que igualmente são excelentes.

Ou seja, os Stones lançam nos “tempos modernos” bons álbuns, ótimas canções, vendem milhões de discos e ainda assim há resistência quanto à ideia de um novo trabalho de tracks inéditos.

Legado indestrutível

Com 56 anos de carreira, tendo vendido mais de 260 milhões de discos e tendo colocado mais gente em shows do que qualquer outra banda, os Rolling Stones têm uma história construída e que será para sempre lembrada. O legado dos Stones é indestrutível. Satisfaction, Jumping Jack Flash, Brown Sugar, Start me Up, Honky Tonk Women serão para toda eternidade ouvidas e cultuadas. É natural que o grande público queira escutar essas canções quando se fala em Stones. Foram elas, e várias outras, que os fizeram gigantescos.

Mas porque não seguir produzindo boa música? Os Stones não terão um single com o sucesso de Miss You, mas e daí? Algumas vez Miles Davis ou Muddy Waters tiveram um single número 1? Nunca foi a intenção deles fazer isso. E nem é mais a meta dos Stones – já não é há muito tempo. Então, qual problema de produzir boas músicas? Como são os Stones, como disse, naturalmente haverá boa resposta comercial, mas e se não tivesse? Os Rolling Stones não têm mais nada a provar.

Deixe a preguiça de lado

Portanto, perca a preguiça e tenha boa vontade. Ouça esses discos para os quais algumas pessoas torcem o nariz. Muitos leitores ficarão surpresos de encontrar canções tão boas quanto tantas dos anos 1960 ou 1970.

Resta esperar que as eternas disputas entre Mick e Keith, que o duelo de egos entre eles, possa conduzi-los a mais um bom disco e que eles seja lançado o mais brevemente possível, com o moderno (Mick) e o antigo (Keith) dialogando perfeitamente em excelentes novas canções.

Como dissemos em post anterior, não há previsão de quando o disco estará no mercado. Sabe-se apenas que os Stones estão trabalhando no projeto.

Tour pelo Reino Unido

Bem antes de novo álbum, os Stones devem anunciar a nova tour pelo Reino Unido. A revelação das datas das apresentações está por ocorrer em alguns dias.

 



 

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