Demorou um pouco, mas finalmente conseguimos ouvir todos os 15 LPs da nova box set dos Rolling Stones, Studio Albums 1971-2016, que foi lançada recentemente pela Universal Music. Todos os vinis foram remasterizados no Abbey Road Studios e prometem entregar aos  audiófilos uma alta qualidade sonora. Então, vamos dar a nossa opinião a respeito do lançamento.

Sticky Fingers vem com plástico sobre o fecho para não danificar os demais discos

Seguindo a ordem

Nós ouvimos os LPs em ordem cronológica. Começamos no Sticky Fingers, de 1971, e fomos até o Blue and Lonesome, de 2016. Aconselhamos fortemente a todos que tenha disponibilidade a fazer o mesmo. A audição desta maneira te leva a uma viagem pelo tempo de 45 anos.

Passando de disco para disco, você faz um percurso histórico, transitando por diversos períodos da música e percebe claramente como os Stones sempre foram bebendo de várias fontes diferentes e naturalmente foram atualizando a música deles.

A evolução da música

A gente pode começar por Sticky Fingers e Exile On Main Street, dois álbuns de forte influência do blues, do country e do soul, estilos musicais que estavam com tudo em 1971-1972. B.B. King, Tina Turner, Aretha Franklin, Steve Wonder e outros estavam com força no mercado. Como sempre beberam dessa fonte, o período foi de regaste de origens. E deu muito certo.

Goat´s Head Soup, It´s Only Rock and Roll e Black and Blue já entram na parada do Glam Rock e do Funk. David Bowie, T-Rex, Queen e afins faziam barulho. O funk  também tinha bastante espaço. Billy Preston foi incorporado aos músicos de apoio. Isso tudo você escuta nestes discos.

Exile vem com os postcards como na versão original

A evolução vai caminhando para a pegada Punk e Disco do Some Girls, indo pela sonoridade ainda com pitadas de Punk e Disco, mas com toques de New Wave do Emotional Rescue, que também estão presentes no Undercover. O Reggae, que estourou em meados dos anos 1970, você escuta em vários destes discos e continua ouvindo até o Bridges to Babylon.

O disco menos influenciado temporalmente talvez seja o Tattoo You, já que é praticamente composto por sobras várias de sessões.

Mas a influência de estilos do momento, a atualização do som dos Stones, você encontra em todos álbuns. Em Bridges to Babylon você tem Anybody Seen My Baby com batida funk misturada com rap.

Ou seja, ouvindo os discos cronologicamente você vai viajando no tempo, e notando como a música dos Stones foi se adaptando, sem nunca perder a essência do blues. Por isso, Blue and Lonesome representa uma retomada da pureza do som dos Stones, fazendo a banda soar como ela era na raiz. Como Mick Jagger diz, “é bom estar no passado, mas é melhor estar no presente”.

Som melhorado

Quanto à qualidade sonora, os discos que mais me chamaram atenção foram Exile on Main Street, Black and Blue e curiosamente, Blue and Lonesome. Estes três discos foram os que tiveram maior ganho de qualidade de áudio na minha opinião, embora algumas questões sejam comuns a todos. Os graves estão muito mais presentes, o que permite a audição do baixo com muito mais nitidez.

Unvercover tem a ficha de inscrição no Beggars Banquet

As artes receberam mais cuidado em relação à caixa lançada em 2010, também com a discografia pós-ABKCO. Alguns discos são destaques neste sentido.

O Exile vem com os postcards originais, o que é bacana. Gostei muito também do Black and Blue com o encarte trazendo as fichas das gravações e do Goat´s Head Soup com o encarte da cabeça da cabra dentro da sopa. O Undercover me surpreendeu porque vem até com a ficha de inscrição no Beggars Banquet, que na época era o fanzine oficial dos Stones, editado por Bill German. O Dirty Work vem uma plástico colorido em volta dele, o que também é interessante (acho que a edição brasileira da época vinha com o plástico transparente normal).

Vale a pena?

A pergunta que todos fazem é se tendo a caixa de 2010, vale a pena investir pesado para comprar a nova box. Diria que depende de quão fã ou quão colecionador você é. Dificilmente sem ser um fanático ou colecionador, você terá comprado a primeira caixa. Mas se você é colecionador, fanático e audiófilo, vá em frente. Faça o investimento. Vale a pena. Mas se você não se liga nesses detalhes, deixe essa grana para comprar discos que você ainda não tem na loja online de Stones Planet Brazil (risos).

Black and Blue vem com a ficha das gravações

Discos da Studio Albums 1971-2016

• Sticky Fingers (1971)
• Exile On Main St (1972)
• Goats Head Soup (1973)
• It’s Only Rock’n’Roll (1974)
• Black And Blue (1976)
• Some Girls (1978)
• Emotional Rescue (1980)
• Tattoo You (1981)
• Undercover (1983)
• Dirty Work (1986)
• Steel Wheels (1989)
• Voodoo Lounge (1994)
• Bridges To Babylon (1997)
• A Bigger Bang (2005)
• Blue & Lonesome (2016)

A caixa é bem caprichada, mas um pouco difícil de manusear. É preciso ter cuidado para não danificá-la ao abrir e fechar.


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