Nosso amigo, leitor e colaborador Fernando Kfouri visitou Nellcote há pouco  tempo e por “livre e espancada” vontade escreveu relato exclusivo para Stones Planet Brazil, contando sua experiência. Todas as fotos publicadas aqui pertencem ao Fernando e sua esposa Carmen, igualmente nossa leitora e editora do blog Já Comemos, que dá dicas bem legais sobre gastronomia.

Por Fernando Kfouri

Sou fã dos Stones
desde a adolescência, lá pelos 14 ou 15 anos. Antes, já conhecia alguma coisa,
mas foi quando vi em 1989, ao vivo na madrugada, pela Rede Bandeirantes, o show
Terrifying, em Atlantic City, durante a turnê Steel Wheels, que minha vida mudou
musicalmente. Daquele dia em diante, nunca mais houve banda ou músico que tenha
chegado perto dos Stones na minha escala.
De toda a discografia
dos meninos, minha preferência (e a de meio mundo stoneano) é pelo período de
1968 a 1981, com destaque Sticky Fingers e Exile.
E, falando em Exile,
sempre ouvi aquele disco imaginando o clima que imperava em Nellcote. As
festas, o vaivém de gente, famosa ou não, que fazia com que cada almoço ou
jantar na mansão fosse um banquete, o clima na vila da Riviera Francesa, que
nunca tinha recebido caras tão esquisitos na história, os passeios de Keith
pela baía com sua lancha Mandrax, tudo isso me encantava, mas, principalmente,
eu ficava pensando como eles conseguiram gravar um disco tão superior a
qualquer outro num ambiente totalmente improvisado.
Afinal, o estúdio era
no porão da casa dele, em ambientes separados: uma parte ficava na adega,
alguém ia para o corredor, outro para a escada. O equipamento de gravação
ficava no jardim, a eletricidade era conseguida por um “gato” na rede francesa,
que roubava a energia da cidade toda. Ainda assim de lá saíram os melhores sons
que já ouvi.
Além disso, esse
clima, para mim, passou para a sonoridade das músicas. Escuto cada uma das faixas
de Exile e fico imaginando onde estava cada um, que guitarra foi usada, o que
saiu da faixa original e o que é overdub.
Tudo isso que estou
contando é só uma introdução para falar que, em 2013, consegui chegar à
entrada desse templo que habita e agita a imaginação de qualquer stoneano. 
Fiz uma viagem pela
França com a minha mulher, Carmen, e uma das paradas foi Nice. Dali a
Villefranche-sur-Mer é um pulinho de trem (sério, acho que leva uns 15 minutos,
se tanto). 
O trem deixa você na
estação, que fica na encosta, acima da baía. Se você olhar da estação para o
mar, a vila estará à direita e Nellcote à esquerda.

 Descemos do trem e os
turistas foram direto para a cidadela ou para a praia. Eu – que parecia uma
criança insuportavelmente excitada com algum brinquedo novo – já fui olhando,
lá de cima, para a parte à esquerda da baía e, com o olho de quem já tinha
passado horas contemplando aquele lugar em fotografias, logo reconheci o
telhado e uma parte da fachada de Nellcote.

Para chegar à casa,
você desce até a praia, atravessa a baía e sobe uma estradinha (a principal
daquele lado), que já é a rua onde está a mansão.

Andando mais um
pouco, logo se chega à entrada, majestosa, com o nome da propriedade gravado nas
pedras ao lado do portão: Nellcote.
Só de estar ali, já
estava realizado. Sabia que a casa agora pertence a um milionário russo que não
gosta muito de visitantes e volta e meia faz os seguranças dele porem para
correr os fãs dos Stones que aparecem.
Stoneano que é
stoneano, porém, não se assusta com essas coisas; eu tinha de tentar olhar um
pouco mais da casa. Cheguei perto do portão e percebi que ele era coberto por
uma tela que não permitia ver muita coisa.
Além de stoneanos,
sou brasileiro. Então, resolvi subir no muro da casa para dar uma espiada.
Dali, dava para ver parte da casa!
Acontece que, como
sou grande e pesado, não conseguia ficar ali, pendurado, e ainda tirar fotos.
Então, a Carmen,
sempre pronta para se meter em qualquer roubada em nome da aventura, e também
fã dos Stones, entrou em ação. Fiz “pezinho” para ela e ela se pendurou no muro
para fotografar.
Depois que ela desceu
do muro, com a barriga ralada (eu não tinha avisado que a pedra era bem
áspera…), resolvi contar uma outra coisa que ela não sabia: a história dos
seguranças do russo. Não ia querer que ela hesitasse em subir com medo de ser
perseguida por algum ex-agente da KGB do tamanho de um armário. Tínhamos uma
missão importante a cumprir! Às vezes, como diz o ditado em inglês, ignorance
is bliss.
Saindo da entrada da
casa, voltamos para a baía, onde fica a praia. Claro que não fomos ainda para a
cidade, precisávamos tentar ver um pouco mais da casa, pela saída exclusiva que
ela tem para a praia e para um píer.
Dali, dá para ver um
dos ângulos mais famosos da casa – um pedacinho, é verdade, mas que todo fã
quer conhecer.
O que deu para ver da
casa foi isso, mas valeu. O sorriso no rosto que vocês veem nas fotos perdurou
o dia inteiro. Acho que depois de um tempo me ouvindo contar todas as histórias
que cercam o lugar e de repetir como estava feliz de ter feito aquilo, a Carmen
começou a duvidar ainda mais seriamente da minha sanidade mental…
Dali, fomos,
finalmente, ver a praia e a cidade de Villefranche-sur-Mer, que é bem bonita,
por sinal. Nada mal abrigar a casa mais famosa do universo stoneano, não?!

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