O princípio básico para um show de sucesso é ter um bom repertório e músicos competentes. A partir da combinação destes dois elementos todo resto vem atrás e a química funciona. A estreia da banda Stones Blues na noite desta quinta-feira, no Gravador Pub, foi basicamente isso. A combinação de elementos essenciais que possibilitam a boa música.

A Stones Blues não é uma banda cover. Trick Bernardi (voz, violão e harmônica), Alexandre Móica (guitarra, mandolin e voz) e Paulo James (bateria e voz) fazem um show simples, cru e básico e reinterpretam canções dos Stones, sejam elas originalmente blues ou não, dando a cada canção uma roupagem nova e surpreendente.

Ninguém rebola no palco ou faz caras e bocas, nem mesmo o setlist é repleto de war horses. Muito pelo contrário, o repertório é recheado de lados B, que fazem a alegria dos fãs mais fanáticos, que há muito estão fartos de ouvirem sempre as mesmas coisas, sejam elas tocadas pelos próprios Stones ou por bandas tributo, que usualmente pecam pela repetição.

A Stones Blues prova que é possível fazer um excelente show, deixando de fora vários dos grandes hits. Para tanto, basta fazer boas versões e torná-las atraentes.

É exatamente isso que o show da Stones Blues faz. Canções como Sympathy for the Devil e Jumping Jack Flash são apresentadas com uma roupagem inteiramente nova. Tudo no estilo blues e dentro do que os Stones podem não ter feito ainda, mas que tranquilamente poderiam fazer.

Walking the Dog, Pachute Woman, Heart of Stone, You Gotta Move, Hate to See You Go, Ventilator Blues… soam novas e ao mesmo tempo similares às originais.

Som vintage

A equalização do microfone de Trick, o vocalista principal, da contornos vintage ao show, como se o público estivesse nos anos 50 ou 60. Móica é um Keith Richards natural. Ele toca parecido, se move parecido e ele é fisicamente parecido. Mas ele não está fazendo imitação. Móica é daquele jeito mesmo. O baterista Paulo James mostra como ser virtuoso e simples ao mesmo tempo, tudo dentro dos limites e momentos certos.

Ou seja, a combinação de boas músicas, com bons músicos dá blues … e não samba.

Ao ver o show da Stones Blues, você fica com a vontade de filmar tudo para mostrar para as pessoas, porque é uma porrada atrás da outra. Como a canção mais surpreendente da noite: She´s So Cold, inteiramente repaginada, a ponto de ser preciso procurar os acordes de Trick ao violão para poder descobrir que música era logo que ela foi entoada.

Nenhum música é descaracterizada. “Os Stones não tocam assim, mas poderiam tocar”, diz Paulo James, com toda razão. Todas as canções podem ser cantadas, reconhecidas e adoradas pelos fãs dos Stones sem o menor esforço.

Stones Blues faz música com jeito de disco de vinil

A dica de amigo que podemos dar. Se você é fã de Stones, de blues ou apenas quer se divertir, sempre que puder vá a assistir shows da Stones Blues.  E torça para o trabalho dos caras ser registrado em vinil, porque o som deles tem toda cara, e merece, um registo num bom e velho bolachão.



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